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2026-09-22 11:58 por Ringo Nogueira
Jorge Palma morreu na noite desta segunda-feira, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. A morte foi anunciada pela família e pela agência do músico, numa mensagem divulgada esta terça-feira.
“É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte”, refere a mensagem. A mulher, Rita Tomé, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os seus representantes pediram que o artista seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, agradecendo as manifestações de amizade recebidas após a notícia.
Nascido em Lisboa, em 1950, começou a estudar piano aos seis anos e ingressou no Conservatório de Música de Lisboa aos dez. Aos 14 anos deixou a formação clássica para se dedicar ao pop-rock. Antes de avançar para uma carreira a solo, passou por grupos como os Black Boys e o Sindicato, que participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971.
Em 1972 gravou o primeiro single em nome próprio, “The Nine Billion Names of God”. Depois do regresso a Portugal na sequência do 25 de Abril, editou em 1975 o álbum “Com uma Viagem na Palma da Mão”, dando início a uma discografia que viria a prolongar-se por várias décadas.
Durante os anos 1970 viveu na Dinamarca e passou por Paris, onde tocou nas ruas e no metro. O contacto com diferentes ambientes musicais acompanhou uma trajetória que atravessou o rock, a música popular e a composição para teatro, sem afastar a formação clássica que marcara os seus primeiros anos.
Em 1991 lançou “Só”, trabalho em que revisitou ao piano várias canções anteriores. O álbum recuperou temas que se tornariam incontornáveis no seu repertório, entre eles “Bairro do Amor”, “Na Terra dos Sonhos”, “O Meu Amor Existe”, “Estrela do Mar”, “Deixa-me Rir” e “Frágil”.
As colaborações ocuparam igualmente um lugar importante no percurso de Jorge Palma. Entre outros projetos, integrou os Palma’s Gang, ao lado de elementos dos Xutos & Pontapés e dos Rádio Macau, e os Rio Grande, mantendo uma presença regular em diferentes formações da música portuguesa.
A carreira a solo prosseguiu com álbuns como “É Proibido Fumar”, “Norte”, “Voo Nocturno” e “Com Todo o Respeito”. Em 2023 editou “Vida”, o último álbum de originais da sua discografia.
O trabalho foi distinguido em diferentes momentos. Recebeu o Prémio José Afonso, em 2002, pelo álbum “Jorge Palma”, e o Prémio Pedro Osório da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, por “Com Todo o Respeito”. Em 2020 recebeu a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa e foi condecorado como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Em abril de 2026 recebeu o Prémio Carreira dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, numa cerimónia realizada no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Meses antes, em 2025, tinha apresentado o espetáculo “3 Palmas na Mão”, ao lado dos filhos Vicente e Francisco Palma.
A morte suscitou diversas reações no meio político e cultural. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recordou a presença das canções do músico na memória de várias gerações, enquanto José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, destacou a sua obra e personalidade artística.
Com mais de cinco décadas dedicadas à música, Jorge Palma deixa uma obra que inclui canções, álbuns e colaborações que atravessaram diferentes períodos da cultura portuguesa. As informações sobre as cerimónias fúnebres serão divulgadas posteriormente pela família.
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Palavras-chave: Jorge Palma, morte, música portuguesa, cantor, compositor, pianista, Vida, Lisboa
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