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2026-09-19 15:52 por Miguel Ângelo Almeida
O tribunal internacional para o Kosovo, sediado em Haia e apoiado pela União Europeia, sentenciou na quarta-feira, 16 de setembro, o ex-Presidente Hashim Thaçi a uma pena de 25 anos de cadeia por crimes de guerra ocorridos no conflito de 1998–1999. O coletivo de juízes deu como provada a sua responsabilidade em casos de detenções arbitrárias, atos de tortura, assassinatos e tratamentos cruéis.
O antigo chefe de Estado foi a julgamento com três outros ex-líderes do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), guerrilha que enfrentou as tropas sérvias no confronto armado. Jakup Krasniqi recebeu a mesma pena de 25 anos, ao passo que Kadri Veseli e Rexhep Selimi foram punidos com 18 e 13 anos de prisão, respetivamente. A acusação pretendia penas de até 45 anos para todos os envolvidos, que sempre rejeitaram a culpa.
Apesar das condenações, o tribunal ilibou os quatro réus das acusações de crimes contra a humanidade, justificando que a Procuradoria não conseguiu demonstrar que existiu uma agressão sistemática ou generalizada dirigida à população civil.
Charles Smith, o juiz norte-americano que presidiu ao coletivo, destacou que Thaçi aproveitou a sua autoridade, liderança e influência para promover estas infrações, não tendo investigado nem sancionado os abusos praticados pelos guerrilheiros que comandava. Ainda assim, o magistrado fez questão de clarificar que o processo não colocava em causa a legitimidade do ELK nem a aspiração de independência daquela que era então uma província sérvia.
Na capital, Pristina, uma multidão reuniu-se no centro para seguir o veredito através de um ecrã de grandes dimensões. O anúncio gerou comoção, vaias e cânticos de apoio a Thaçi e ao ELK, visíveis também nas bandeiras empunhadas. O descontentamento popular levou ainda centenas de manifestantes a apedrejar e a arremessar objetos contra as instalações da missão da União Europeia (EULEX).
Por sua vez, o Presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, considerou que a decisão judicial não dá espaço a celebrações. O líder sérvio manifestou receio de que as condenações caiam na fase de recurso e lamentou que várias suspeitas de crimes praticados contra cidadãos de etnia sérvia tenham ficado fora da apreciação do tribunal.
Com 58 anos, Thaçi deixou o cargo de Presidente do Kosovo em 2020 para responder à justiça. Se para muitos kosovares continua a ser uma figura heroica da independência declarada em 2008 (estatuto que Belgrado ainda recusa aceitar), outros veem nele e na liderança histórica da guerrilha um grupo que se instalou confortavelmente no poder. O antigo líder terá ainda de enfrentar outro processo judicial no final do mês, sob a acusação de tentar coagir testemunhas. As defesas têm a possibilidade de apresentar recurso de todas as sentenças proferidas.
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Palavras-chave: Hashim Thaçi, Pristina, Kosovo, crimes de guerra, Haia, etnia sérvia, Exército de Libertação do Kosovo, Sérvia
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