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2026-09-16 14:48 por Joana Simões
De acordo com um estudo divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Portugal teve apenas 15% de ministras nas últimas cinco décadas, e as mulheres ainda dependem muito de conhecimentos técnicos para chegar a cargos de poder.

Osvaldo Gago
O estudo intitulado "Quem Governa Portugal? Perfis ministeriais em perspetiva comparada", analisou os perfis de todos os ministros portugueses desde 1976 até 2025.
Num texto intitulado "Género e acesso ao poder executivo", da autoria de Edna Costa, Professora Auxiliar de Ciência Política, conclui-se que "entre 1976 e 2025, dos 398 detentores de pastas ministeriais que integraram os governos inaugurais, apenas 60 eram mulheres (15%), contrastando com 338 homens (85%)".
De acordo com o texto, esta disparidade “evidencia a persistente sub-representação feminina no acesso aos cargos executivos, mesmo num contexto de democratização e de crescente valorização da igualdade de género".
A análise revela que até 1985 verificou-se "uma ausência quase total de mulheres", sendo que a primeira nomeação ocorreu com Leonor Beleza para a pasta da Saúde, no X Governo liderado por Cavaco Silva. A partir deste ponto, observa-se "um crescimento lento".
Se em 1995, António Guterres regista "maior abertura à nomeação de ministras", e os governos de José Sócrates "aprofundam esta tendência, ultrapassando pela primeira vez os 30% em 2009", em 2011, Passos Coelho nomeia apenas duas ministras (18%).
É apenas em 2019 que, sob a liderança de António Costa, o Governo se torna o primeiro a ultrapassar o limiar de 40% e em 2022, alcança mesmo os 53% de representação feminina.
"Mais recentemente, os governos de Luís Montenegro (2024-2025) mantêm valores elevados (41% e 37,5%), sugerindo uma possível consolidação, embora seja prematuro afirmar a durabilidade desta tendência", acrescenta a autora.
Outra das conclusões deste estudo é a de que as ministras possuem qualificações académicas superiores à dos ministros (50% com doutoramento versus 25% dos homens) e "dependem desproporcionalmente de credenciais técnicas para aceder ao poder", sendo-lhes exigida maior especialização técnica para assumir um cargo governativo.
No que toca à distribuição de pastas, no período entre 1976 e 2025, "as mulheres que detêm pastas ministeriais em Portugal estão mais concentradas em pastas periféricas e na área social".
O estudo conclui, ainda, que entre as mulheres, a filiação partidária funciona como condição necessária para aceder ao núcleo duro do Governo, enquanto nas pastas periféricas mais de metade das ministras são independentes, recrutadas pelo seu capital técnico.
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Palavras-chave: Governo, Portugal, política portuguesa, Fundação Francisco Manuel dos Santos
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