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2026-09-15 22:26 por Helena João
Fechado desde outubro de 2010, o histórico Hotel Turismo da Guarda está finalmente a caminho de uma nova vida. O Turismo de Portugal assinou na segunda-feira, dia 14, o contrato de arrendamento do imóvel com o Grupo Lince Hotels, que prevê investir entre 15 e 20 milhões de euros na sua requalificação. O objetivo é concluir a obra no prazo de dois anos e voltar a abrir as portas do hotel, com a possibilidade de a unidade vir a assumir uma categoria de cinco estrelas.
O contrato de arrendamento tem uma duração de 50 anos e inclui uma opção de compra do imóvel a partir do quarto ano. Segundo as condições do concurso público lançado pelo Turismo de Portugal, proprietário do edifício, o Grupo Lince Hotels pagará uma renda mínima mensal de 3.858,34 euros. Caso exerça a opção de compra, terá de pagar cerca de 6,8 milhões de euros.
“A solução está encontrada, está contratualizada e agora é o tempo de fazer o investimento”, afirmou Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, durante a cerimónia de assinatura do contrato, realizada junto ao edifício projetado pelo arquiteto Vasco Regaleira, no centro da cidade. O imóvel foi inaugurado a 6 de julho de 1947 e tornou-se, ao longo das décadas, um dos edifícios mais emblemáticos da Guarda.
O responsável do Turismo de Portugal considera que este contrato encerra um processo marcado por várias tentativas falhadas de reabrir o hotel. “Hoje, é um momento importante, porque celebramos um contrato de arrendamento por 50 anos, com opção de compra do imóvel, uma novidade relativamente àquilo que foram os procedimentos anteriores”, afirmou Carlos Abade, acrescentando que a expectativa é que “no prazo de dois anos a obra esteja concluída e a inauguração do hotel possa ser uma realidade”.
O Grupo Lince Hotels, vencedor do concurso público, ficará responsável pela reabilitação e requalificação do edifício. O administrador e CEO do grupo, Domingos Correia, estima que o investimento possa situar-se entre os 15 a 20 milhões de euros.
“Não posso desvendar muito, porque ainda não temos os valores aproximados, mas poderão andar muito perto disso”, explicou o empresário, que se mostrou impressionado com o potencial do edifício e com o facto de este permanecer encerrado há tantos anos.
Na opinião do empreendedor, as possibilidades do imóvel são claras. "Ao visitar este local, considerei uma pena, dado o impressionante crescimento do setor turístico em Portugal. A edificação em si possui um charme único", declarou.
O projeto de requalificação será desenvolvido pelo arquiteto Carvalho Araújo, que é da autoria do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde, também gerido pelo Grupo Lince Hotels.
A intervenção pretende preservar o caráter e o valor arquitetónico do antigo Hotel Turismo, ao mesmo tempo que introduzirá novas valências destinadas a responder às atuais exigências do mercado turístico.
A proposta do Grupo Lince Hotels passa pela criação de uma unidade hoteleira de categoria superior, com a possibilidade de alcançar as cinco estrelas. Entre as principais novidades previstas estão um SPA de dimensão considerável e duas piscinas, reforçando a componente de bem-estar e lazer do futuro hotel.
A meta é que o Hotel Turismo volte a abrir em dois anos, conforme compartilhado por Domingos Correia.
A proposta visa elevar o estabelecimento a um patamar superior de turismo, integrando a arquitetura histórica do local com comodidades e serviços modernos. A abordagem de marketing focará nos mercados espanhol e americano e busca atrair tanto turistas portugueses quanto estrangeiros com maior capacidade financeira.
As entidades locais veêm a reabertura do Hotel Turismo como uma chance de fortalecer a capacidade hoteleira da cidade e impulsionar a economia regional, com efeitos previstos no turismo, no comércio, na restauração e em outras áreas ligadas à visita.
O presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, mencionou que houve cinco tentativas anteriores para reabrir o hotel, as quais ele descreveu como “cinco decepções”.
“O hotel não reabre por decreto, tem, pela primeira vez, um nome, um contrato e uma data. Isto prova que a pressão da Guarda surgiu efeito”, disse o representante do município, argumentando que a cidade tinha falta de “um hotel de renome”.
Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, também ressaltou a magnitude da proposta agora apresentada. Segundo o próprio, o novo empreendimento tem potencial para superar as expectativas originais para o imóvel, mediante a implementação de novas instalações e a readequação de espaços, visando aprimorar a conveniência, o conforto e a capacidade de atender às procuras atuais do mercado.
“O que estamos a fazer hoje é a assinatura do contrato com a empresa que, a partir de agora, apresentará o projeto à Câmara Municipal, à qual já está a elaborar, e, em seguida, iniciará a obra física para a restauração do hotel”, detalhou.
Fechado há 16 anos, o Hotel Turismo da Guarda transformou - se, com o tempo, numa lembrança comum da cidade e um ícone de um legado hoteleiro que aguarda uma nova oportunidade. Com um contrato já formalizado, um investidor definido e um prazo de dois anos para a finalização da obra, o edifício histórico está prestes a retornar à atividade com uma proposta voltada para o luxo, o bem-estar e o turismo internacional.
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