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2026-08-30 16:42 por Carlos Nhabetse
O setor privado moçambicano exige uma participação mais efetiva das empresas nacionais nos grandes projetos públicos, sobretudo nos empreendimentos adjudicados a empresas estrangeiras. O apelo foi feito pelo presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Alvaro Massingue, durante um encontro com o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, moçambicano, Fernando Rafael realizado na passada sexta-feira, 28 de Agosto.
Massingue defende que os grandes investimentos em infraestruturas devem gerar benefícios duradouros para a economia nacional, através da subcontratação de empresas moçambicanas, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências e capitalização dos empresários nacionais.
Para o presidente da CTA, a participação das empresas nacionais não deve ser encarada como uma simples preferência, mas como um investimento na capacidade produtiva do país. Na sua perspectiva, cada grande obra realizada em Moçambique deve contribuir para deixar empresas nacionais mais fortes, quadros mais qualificados e maior capacidade tecnológica.
A CTA aponta, entretanto, outro constrangimento que continua a pressionar o setor da construção: os atrasos nos pagamentos das obras públicas. Segundo Massingue, a demora na liquidação das faturas afeta a tesouraria, a capacidade operacional e a sustentabilidade financeira das empresas.O responsável explica que a execução de obras exige investimentos elevados em matérias-primas, equipamentos, mão-de-obra e financiamento. Quando os pagamentos são atrasados, os empreiteiros ficam sujeitos a custos financeiros adicionais, o que pode comprometer a execução dos contratos e a própria sustentabilidade das empresas.
No setor da habitação, a CTA defende uma maior intervenção do sector privado para responder à crescente procura por habitação a preços acessíveis, sobretudo entre os jovens.
Massingue reconhece a iniciativa presidencial Terra Infra-estruturada, mas considera que a participação dos investidores privados é essencial para massificar a construção de habitação. Segundo o presidente da CTA, a disponibilização, pelo Estado, de terrenos infraestruturados, água, energia e outros serviços básicos poderá criar condições para atrair investimento privado.
O setor privado pede igualmente maior atenção aos recursos hídricos, numa altura em que as alterações climáticas aumentam a pressão sobre a disponibilidade e gestão da água, transformando o sector num desafio social, económico e de segurança.
Para a CTA, o desafio de Moçambique não passa apenas por construir mais infraestruturas, mas por garantir que os grandes investimentos contribuam para fortalecer o empresariado nacional, aumentar o conteúdo local e criar oportunidades para que pequenas e médias empresas cresçam, adquiram tecnologia e ganhem capacidade para competir em projetos de maior dimensão.
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Palavras-chave: Moçambique, CTA - Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Alvaro Massingue, empresas nacionais, sector privado, grandes projectos, obras públicas, conteúdo local, infra-estruturas, construção civil, habitação, investimento privado, recursos hídricos, alterações climáticas
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