Extraditado de Portugal suspeito de integrar rede de ciberataques a bancos em Angola - Antena Web Notícias


2026-08-28 11:57 por Celso Gamboa

Um cidadão angolano suspeito de integrar uma rede criminosa internacional envolvida em ataques cibernéticos contra instituições bancárias foi extraditado de Portugal para Angola na passada terça-feira, 25 de Agosto, no âmbito de uma investigação conduzida pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC). Identificado pelas autoridades como Fernando Nunes Correia, o suspeito é apontado como alegado integrante de uma organização que terá provocado prejuízos superiores a 6 mil milhões de kwanzas, na sequência de um ataque ocorrido em Janeiro de 2025.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades angolanas, a rede seria constituída por cidadãos de várias nacionalidades, incluindo angolanos, nigerianos, costa-marfinenses, beninenses e libaneses. Pelo menos dez suspeitos encontram-se em prisão preventiva, enquanto as autoridades prosseguem as diligências para localizar outros alegados integrantes.

Fernando Nunes Correia é apontado como antigo funcionário de uma instituição bancária no município do Negage, província do Uíge. De acordo com o SIC, terá utilizado as suas credenciais de acesso e introduzido um equipamento informático na rede interna da instituição, criando condições para que terceiros pudessem aceder remotamente aos sistemas.

A investigação aponta ainda que, depois de viajar para Portugal, o suspeito terá continuado a colaborar com a organização, nomeadamente no alegado recrutamento de funcionários bancários.

O envolvimento de trabalhadores com acesso legítimo aos sistemas constitui um dos elementos centrais da investigação, uma vez que poderá indicar que a rede recorria não apenas a técnicas de intrusão informática, mas também ao recrutamento de pessoas dentro das próprias instituições financeiras.

O prejuízo atribuído ao ataque ultrapassa os 6 mil milhões de kwanzas, mas as autoridades ainda não divulgaram publicamente todos os detalhes sobre a movimentação dos valores, o montante eventualmente recuperado ou o destino final do dinheiro.

A extradição de Portugal para Angola evidencia igualmente a dimensão internacional do processo e a importância da cooperação judiciária entre os dois países no combate à criminalidade transnacional.

As autoridades angolanas continuam a investigar o caso e procuram esclarecer o papel desempenhado por cada um dos suspeitos, bem como identificar outros elementos que possam estar ligados à alegada rede.

Até ao momento, as acusações permanecem sob investigação. O suspeito beneficia da presunção de inocência até eventual condenação definitiva pelos tribunais.

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