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2026-08-27 08:10 por Hebert Jonas
Uma catástrofe natural de proporções devastadoras atingiu a fronteira do Himalaia entre o Nepal e o Tibete (China) na madrugada desta quarta-feira, 26 de agosto de 2026. Uma avalanche de gelo e rocha desencadeou inundações relâmpago e uma colossal torrente de lama que já vitimou pelo menos 160 pessoas no lado nepalês, deixando um rasto de destruição massiva. As autoridades contabilizam ainda cerca de 1500 desaparecidos, dos quais 800 são turistas estrangeiros, incluindo 2 cidadãos portugueses, segundo confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
Inicialmente suspeitava-se, como chegou a avançar o Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ), que um sismo, aproximadamente de 4,4 na escala de Richter, ocorrido minutos antes, tivesse desencadeado o colapso de enormes blocos de gelo e rocha sobre o rio Lhende Khola (conhecido como Bhote Koshi no Nepal), criando uma onda gigante de água e detritos que desceu pelo vale a grande velocidade, varrendo vilarejos inteiros, estradas, pontes e centrais hidroelétricas. Mais tarde percebeu-se que foi o desprendimento de terras que atingiu magnitude tal que ele mesmo provocou um sismo de aproximadamente 5,2 na mesma escala, como corrigiram mais tarde os serviços estadunidenses.
O distrito montanhoso de Rasuwa, situado a norte da capital Katmandu, foi uma das zonas mais fustigadas. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram a impressionante força da vaga de lama a engolir edifícios. Do lado chinês da fronteira, um deslizamento de terras severo atingiu o posto fronteiriço de Gyirong, na região de Shigatse, cortando estradas e provocando um apagão total nas comunicações e no fornecimento de energia elétrica. Até ao momento da publicação desta reportagem, as equipas de emergência, que trabalham em condições extremas e de difícil acesso, conseguiram resgatar 114 sobreviventes num esforço conjunto que envolve o exército e as forças de segurança locais. Após uma reunião de emergência com a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, o primeiro-ministro do Nepal garantiu que o governo assume total responsabilidade pelas operações de busca, tratamento e alojamento dos afetados, tendo inclusive solicitado apoio internacional aos governos da Índia e da China para reforçar os meios de socorro. Do lado chinês, o presidente Xi Jinping apelou a esforços redobrados na busca pelos desaparecidos.
A situação dos cidadãos portugueses desaparecidos está a ser acompanhada de perto pelas autoridades diplomáticas, não havendo, para já, mais detalhes sobre a sua identidade. A região afetada é uma rota terrestre crucial entre o Nepal e a China e é habitualmente concorrida por turistas, montanhistas e peregrinos, o que justifica o elevado número de cidadãos estrangeiros apanhados de surpresa pela cheia repentina. As operações de busca deverão prolongar-se ininterruptamente entre hoje e os próximos dias, num verdadeiro contrarrelógio. A autoridade de gestão de desastres do Nepal emitiu entretanto um alerta máximo para os residentes ao longo das margens dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani, aconselhando-os a afastarem-se das áreas ribeirinhas face ao risco latente de novos aluimentos e da instabilidade do terreno. Embora a extensão total dos danos ainda esteja por apurar, os especialistas já classificam o sucedido como um evento com profundas implicações económicas e humanas, evidenciando, mais uma vez, o elevado risco de desastres desta natureza na cordilheira dos Himalaias.
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Palavras-chave: China, Tibete, Himalaias, tragédia, catástrofe natural, mortes, deslizamento de terras, sismo, Nepal
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