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2026-08-26 13:23 por Viviane Oliveira António
Dezoito países africanos já lançaram pelo menos um satélite, numa aposta em desenvolver um setor espacial próprio e reduzir a dependência de potências ocidentais. Atualmente, mais de 21 países do continente têm programas espaciais dedicados, segundo o Africa Center for Strategic Studies.
Egito, África do Sul, Argélia, Nigéria e Marrocos lideram em infraestruturas e tecnologia de satélites, com grandes laboratórios nacionais para montar, integrar e testar satélites. O Egito acolhe também a sede da recém-criada Agência Espacial Africana. Nos últimos anos, Senegal, Ruanda, Djibuti e Zimbabué lançaram igualmente os seus primeiros satélites.
Os governos africanos alocaram coletivamente 828,37 milhões de dólares para atividades espaciais em 2026, um aumento de 32% face ao ano anterior. Soberania é o principal motor: os países africanos querem reduzir a dependência em relação a potências estrangeiras, sobretudo no acesso a dados geográficos e ambientais. Comprar no exterior imagens de satélite de alta resolução e largura de banda de comunicações é caro, e os pedidos podem ser atrasados ou mesmo recusados.
Os satélites africanos acompanham hoje o estado das culturas, gerem recursos hídricos e antecipam cheias e secas. Monitorizam também a pesca ilegal, a segurança nas fronteiras, a pirataria, a mineração ilegal e a desflorestação, e são cada vez mais essenciais para colmatar falhas nas telecomunicações rurais.
A Agência Espacial Africana, criada pela União Africana, ajuda a coordenar políticas espaciais transfronteiriças e a juntar recursos, enquanto novos programas de engenharia aeroespacial e ciência de dados procuram manter o jovem talento técnico no continente. O Programa de Parceria Espacial África-UE, no valor de 100 milhões de euros, reflete uma mudança já em curso para uma relação mais equilibrada.
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Palavras-chave: programas espaciais, África, satélites, soberania, ocidente, Agência Espacial Africana
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