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2026-08-18 23:58 por Maria Suzie
A cidade de Amarante prepara-se para receber, entre os dias 21 e 30 de agosto, a segunda edição da Bienal de Artes Performativas de Amarante, a BapAmarante. Durante dez dias, diferentes espaços da cidade serão ocupados por espetáculos e experiências artísticas que procuram aproximar a criação contemporânea do cotidiano da população.
Promovida pela Sekoia – Artes Performativas, em parceria com a Câmara Municipal de Amarante, a iniciativa reúne dez propostas de artistas nacionais e internacionais. A programação passa por linguagens como dança, teatro, música, cinema e performance, com apresentações pensadas para públicos de diferentes idades.
O tema escolhido para esta edição é “Reinventar o Comum”, conceito que coloca no centro da programação questões relacionadas à convivência, à memória, à participação e às relações entre as pessoas e o território. Em vez de concentrar as apresentações em um único espaço, a bienal leva a arte para parques, mercados, igrejas, museus e outros locais de Amarante.
A proposta cria uma relação particular entre a produção artística e a própria cidade. O público não é convidado apenas a assistir aos espetáculos, mas a encontrar diferentes formas de contato com a criação e com os artistas.
Um dos aspetos que diferenciam a BapAmarante é justamente a utilização de espaços que fazem parte da vida cotidiana da população.
A programação começa no dia 21 de agosto com “Segunda-feira: Atenção à Direita!”, de Cláudia Dias e Jaime Neves. A apresentação combina dança e teatro e utiliza a imagem de um combate de boxe para desenvolver uma reflexão sobre confronto, ideias, opressão e solidariedade. No dia seguinte, o Mercado Municipal de Amarante recebe “Saber a Terra – Ensaiar a Relação”, de Sara Rodrigues e Rodrigo B. Camacho. A proposta mistura performance e oficina artística e trabalha com materiais, gestos e conhecimentos relacionados à relação do ser humano com o mundo natural.
Ainda no dia 22, a Quinta do Paço será palco de uma sequência de atividades ligadas à memória e à literatura. Entre elas está “As Casas da Vida de Agustina”, conduzida por Mónica Baldaque, que aproxima o público do universo da escritora Agustina Bessa-Luís por meio de leituras, imagens e memórias. A programação do mesmo local inclui ainda o concerto “Quietude”, de Vítor Joaquim e João Silva, e a estreia do filme “A Casa da Sibila”, de Luís Vieira Campos. As obras estabelecem diferentes diálogos com a memória de Agustina Bessa-Luís e com os espaços associados à escritora.
No domingo, 23 de agosto, o Parque Florestal de Amarante recebe “Troca o Passo”, de Ana Rita Teodoro e João dos Santos Martins. O trabalho utiliza o movimento e o caminhar como elementos para explorar questões relacionadas ao tempo e à memória.
Já na segunda parte da bienal, a Casa da Juventude recebe “Neither Here Nor There”, de Jo Fong e Sonia Hughes. A performance aposta na conversa, na escuta e no encontro como elementos centrais, propondo ao público um momento de reflexão sobre as formas de convivência.
No dia 28 de agosto, os Claustros do Museu de Arte Moderna Amadeo de Souza-Cardoso recebem “Simulacro”, de Carminda Soares e Margarida Montenÿ. A criação trabalha com movimentos, repetição, intimidade e resistência, explorando a relação entre o corpo e as experiências cotidianas.
Um dos momentos de maior aproximação entre tradição local e criação contemporânea acontece com “A Festa”, de Filipa Francisco. O espetáculo resulta de um processo de cocriação que envolve o Grupo de Cantares e Danças de Santa Cruz de Riba Tâmega e alunos do Conservatório de Amarante. A proposta reúne dança contemporânea, elementos da tradição e participação de artistas e integrantes da comunidade.
A apresentação integra a programação de encerramento da bienal e reforça uma das características centrais do projeto: estabelecer pontes entre diferentes gerações, linguagens artísticas e formas de expressão cultural.
A programação termina no dia 30 de agosto com “Antiprincesas – Catarina Eufémia”, de Cláudia Gaiolas, espetáculo teatral destinado ao público familiar. A obra recupera a trajetória de Catarina Eufémia, figura associada à resistência e à luta por melhores condições de vida.
Mais do que reunir espetáculos durante dez dias, a BapAmarante apresenta uma proposta de descentralização da produção cultural, levando diferentes manifestações artísticas para além dos espaços tradicionalmente associados às apresentações. A escolha de locais como parques, mercados, igrejas e equipamentos culturais permite que a programação dialogue diretamente com a paisagem e com a população de Amarante. Outro elemento de destaque é o acesso gratuito a toda a programação. A organização também prevê uma dimensão solidária, com possibilidade de donativos do público destinados parcialmente à Liga Portuguesa Contra o Cancro.
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Palavras-chave: Bienal de Amarante, Amarante, cultura, artes performativas, teatro, artes cénicas, artes, exposições, arte urbana, feiras e festivais
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