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2026-07-30 18:14 por LiveCom
Num momento em que a crise climática redefine a forma como pensamos o território, os recursos e a própria ideia de futuro, o BOIL Climate Fest regressa ao Parque da Fundação de Serralves para a sua terceira edição e expande-se, pela primeira vez, à cidade do Porto. Entre 24 e 27 de setembro, o festival apresenta uma programação que cruza arte contemporânea, arquitetura, ciência, cinema documental, experiências sonoras, oficinas, atividades para famílias e práticas comunitárias, transformando Serralves e o espaço urbano num território de encontro, criação e pensamento, onde públicos de todas as idades são convidados a experimentar novas formas de cuidar do planeta e da vida em comum.
Com curadoria de Patrícia Craveiro Lopes, a edição de 2026 desenvolve-se a partir do conceito Attending the Commons | Cuidar do Comum, entendendo o comum não como um recurso disponível, mas como uma prática contínua de atenção, responsabilidade e cuidado. Num tempo marcado pela aceleração e pela fragmentação, o festival propõe um exercício coletivo de observação, escuta e participação, aproximando conhecimento científico, criação artística e experiência sensível.
Mais do que representar a crise climática, o BOIL procura criar condições para experimentar outras formas de relação entre pessoas, territórios e ecossistemas. Ao longo de quatro dias, instalações, oficinas, percursos, filmes e encontros convocam diferentes disciplinas e saberes para pensar a vida em comum a partir da interdependência, da biodiversidade, da memória, da alimentação, da água e da paisagem.
O Parque de Serralves volta a tornar-se um território de criação artística onde cada obra estabelece uma relação direta com a paisagem, convocando o visitante para uma experiência de observação, participação e descoberta.
Em torno da Tília de Folhas Grandes nasce Lidas de Mestras, de Inês Coelho da Silva, uma instalação viva que evolui ao longo dos quatro dias do festival através de desfolhadas de milho, caminhadas botânicas, bordados coletivos, refeições partilhadas, instalações comestíveis e canções de trabalho. Desenvolvida em colaboração com Monika Błoch, Iga Nawara, Fernanda Botelho, a associação FICA e o Grupo Folclórico de Fiães, a obra aproxima património imaterial, biodiversidade, práticas agrícolas e memória coletiva, revelando o cuidado como gesto quotidiano e transmissão entre gerações. A programação integra ainda os workshops conduzidos por Fernanda Botelho, que propõem percursos botânicos dedicados à Tília e às plantas vizinhas, aproximando famílias e participantes da biodiversidade existente em Serralves.

Inês Coelho da Silva @Anton André
Com Ping Pong Porto – Construir uma Rede para a Cidade de Toda a Gente, a oitoo cria um espaço de encontro e reflexão onde o jogo do ping-pong se transforma numa metáfora para o diálogo e a construção coletiva das nossas cidades. Instalado numa estufa do Parque de Serralves, o projeto reúne três mesas de ping-pong em que, tal como numa conversa, há um movimento contínuo entre os participantes, num exercício de escuta e de construção conjunta. Após o festival, as mesas ganharão uma nova vida ao serem instaladas em diferentes pontos da cidade, onde permanecerão ao serviço da comunidade como espaços de encontro, diálogo e usufruto comum.

@oitoo
Na instalação sonora Óraculo da Água, Cláudia Martinho cria um ambiente de escuta onde som, luz e paisagem tornam perceptível a presença da água enquanto elemento essencial à vida. A obra prolonga-se na oficina ativação e co-criação, convidando os participantes a integrar artisticamente a instalação e a refletir sobre a responsabilidade coletiva na preservação deste bem comum.

Cláudia Martinho @Henrique Mestre
Em Point Zero – o coração do aqui e agora, a artista iraniana Sharzadian recorre à tradição poética persa para construir uma instalação sobre transformação, identidade e mudança. Inspirada no ponto de transição entre gelo e água, a obra propõe o “ponto zero” como espaço de reinvenção e possibilidade perante a crise climática.

@Sharzadian
No Treetop Walk, Joana Gama apresenta A Intimidade de uma Folha, uma instalação sonora criada originalmente para a segunda edição do BOIL e hoje afirmada como uma das obras mais emblemáticas do festival. Disponível através de auscultadores ao longo do percurso suspenso entre as copas das árvores, a obra transforma a caminhada numa experiência de escuta onde música, palavra e floresta se tornam uma única paisagem sensorial.

Joana Gama @Lais Pereira
A dimensão pública do festival estende-se também para além do Parque de Serralves através da intervenção de Renato Cruz Santos, artista multidisciplinar natural das Caxinas, cuja prática artística explora a memória, o imaginário ficcionado e a desconstrução do real. No BOIL apresenta a exposição digital O Mar Arrefeceu, que leva o festival para fora do seu recinto e o espalha pela cidade do Porto, transformando uma rede de suportes digitais da JCDecaux numa galeria de arte ao ar livre. A intervenção prolonga o festival para o espaço público e convida novos públicos a cruzarem-se com a arte e com a reflexão sobre a ação climática no quotidiano, estabelecendo uma ligação entre Serralves e a cidade.

@Renato Cruz Santos
A programação integra igualmente projetos que cruzam investigação científica, criação artística e testemunho documental.
O Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro, apresenta Águas que Movem, uma série documental desenvolvida em parceria com o Science Museum, de Londres, e o Museu das Amazónias, em Belém do Pará. Filmados no Brasil e no Reino Unido, os três episódios acompanham comunidades profundamente ligadas à água, revelando como as alterações climáticas transformam territórios, modos de vida e relações entre pessoas e ecossistemas.

@Museu do Amanhã
A dimensão educativa continua a ocupar um lugar central na programação do BOIL, através de oficinas, experiências participativas e atividades dirigidas a famílias, escolas e público em geral.
Em Ecologias Invisíveis, Sal Reis Trouxa utiliza a fermentação e a preservação de alimentos para explorar os sistemas invisíveis que sustentam aquilo que comemos, propondo uma reflexão sobre comunidade, transformação e cuidado.
Em parceria com o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), o festival apresenta Super-Heróis do Clima: Pequenas Ações, Grande Impacto!, uma oficina destinada a crianças entre os 6 e os 12 anos que promove a literacia climática através de jogos, experiências e desafios colaborativos.
A programação inclui ainda atividades desenvolvidas com o Centro Ciência Viva e o Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, aproximando famílias e escolas da biodiversidade, dos insetos, da conservação da natureza e da complexa rede de relações que sustenta os ecossistemas.
Na sua terceira edição, o BOIL afirma-se como um lugar de encontro entre arte, ciência e cidadania, onde a resposta à crise climática passa pela construção de novas formas de relação com o território e com os outros.
Mais do que apresentar soluções, o festival cria condições para observar, escutar, caminhar, conversar, cozinhar, bordar, aprender e imaginar em conjunto. Um exercício coletivo de atenção ao mundo e às múltiplas formas de vida que o tornam habitável.
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Palavras-chave: BOIL Climate Fest, natureza, comunidade, arte contemporânea, arquitetura, ciência, cinema documental, experiências sonoras, oficinas
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