Ribeirão Preto conta os estragos: a lenta recuperação após o temporal - Antena Web Notícias


2026-07-28 20:00 por Adriana Pequeno

Quatro dias após a madrugada de 24 de julho, a região de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, enfrenta uma lenta e complexa operação de limpeza e recuperação. A passagem de um temporal de extrema violência deixou um rasto de destruição que autoridades e população ainda tentam ultrapassar. Rajadas de vento que ultrapassaram os 122 km/h, aliadas a uma forte queda de granizo, devastaram a área, provocando danos materiais avultados.

Balanço humano e impacto nos serviços

O balanço humano da tragédia foi pesado. Registou-se a morte de um homem idoso, com idade compreendida entre os 75 e os 82 anos, no bairro Jardim Salgado Filho. A vítima fatal acabou soterrada quando uma estrutura adjacente colapsou sobre a sua habitação. Para além desta perda humana, a tempestade forçou a deslocação de cerca de 1800 pessoas e 12 necessitaram de assistência e apoio social urgente.

Os estragos nas infraestruturas foram severos e de difícil resolução. Passadas 48 horas sobre o fenómeno meteorológico, cerca de 46500 clientes continuavam sem eletricidade, na sequência de um apagão que, no seu pico, deixou quase toda a cidade às escuras. O colapso de 34 torres de alta tensão e os danos em mais de 200 postes, combinados com o desligamento automático de oito das 14 subestações da distribuidora CPFL, geraram um efeito dominó. Esta falha em cascata comprometeu não só a rede elétrica, mas também o abastecimento de água e o comércio local.

Saúde e educação em estado de alerta

A rede de saúde pública sofreu um impacto direto e imediato. As unidades hospitalares, que sofreram danos estruturais, viram a sua capacidade de resposta levada ao limite, atingindo a lotação máxima nas camas de cuidados intensivos. Perante esta emergência, a administração local não teve outra alternativa senão requisitar sete camas de UCI na rede privada, assegurando assim a continuidade dos tratamentos de maior gravidade.

Em paralelo, o setor da educação foi obrigado a suspender as aulas de cerca de 5000 estudantes. A medida, decretada pelas autoridades competentes, justificou-se pelos danos estruturais detetados em, pelo menos, 14 escolas da rede municipal, que ficaram sem condições de segurança para receber alunos e corpo docente.

Resposta institucional e ajuda no terreno

A dimensão do desastre levou o prefeito de Ribeirão Preto a decretar situação de emergência no município ainda no próprio dia 24 de julho. Esta declaração revelou-se um passo fundamental para desbloquear fundos especiais e acelerar os mecanismos de socorro.

O Governo do Estado de São Paulo ativou de imediato os seus protocolos de apoio, mobilizando ajuda humanitária através da Defesa Civil estadual e do Fundo Social de Solidariedade. Foram distribuídos géneros alimentares, colchões e materiais de construção de emergência às famílias afetadas. A gravidade do cenário ficou ainda patente na visita do Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin, que se deslocou a Ribeirão Preto para avaliar os danos no terreno e alinhar os esforços de reconstrução com os responsáveis locais.

O caminho a seguir

Entretanto, as equipas de emergência e reparação continuam a trabalhar contra o relógio para desobstruir vias e restabelecer as redes essenciais. Apesar do caos, a comunidade tem dado provas de uma notável resiliência. A prioridade absoluta das autoridades mantém-se focada na segurança das famílias desalojadas e na reposição da normalidade nos serviços públicos. Os responsáveis avisam, no entanto, que a recuperação total será um processo moroso, exigindo tempo e recursos sustentados ao longo das próximas semanas.

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