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2026-07-26 17:10 por Adriana Pequeno
Em Busan, na Coreia do Sul, a assembleia anual da Unesco tomou uma decisão com forte significado histórico: incluir seis emblemáticas propriedades agrícolas de São Tomé e Príncipe na prestigiada lista do Património Mundial. O veredito celebra a memória viva do café e do cacau, dois pilares que moldaram a alma e a história do arquipélago.
A distinção recaiu sobre um conjunto de propriedades icónicas: Água Izé, Belo Monte, Diogo Vaz, Monte Café, São João e Sundy.
Nascidas durante a era colonial, estas roças eram muito mais do que simples herdades agrícolas. Funcionavam como minicidades autossuficientes onde a vida acontecia em circuito fechado, integrando num só espaço vastas roças de cultivo, engenhos industriais para tratar a colheita, bairros habitacionais e serviços comunitários.
Para a organização da ONU, este património edificado é o espelho de um complexo sistema agroindustrial que dominou as ilhas entre finais do século XIX e meados do século XX. Trata-se de um retrato fiel do modelo económico adotado após a abolição formal da escravatura, uma engrenagem que, ainda assim, assentou na vinda de mão de obra migratória e no trabalho sob coerção.
Esta conquista marca um ponto de viragem para o país. Mais do que assegurar um estatuto de proteção reforçado, o título da Unesco vem blindar a memória coletiva são-tomense, promover a sua herança cultural e dar um impulso decisivo a um turismo de menor impacto e maior consciência ambiental.
O grande teste começa, porém, agora: será preciso restaurar, conservar e gerir este vasto acervo, garantindo que o legado histórico das roças continue acessível e explicativo para quem vier a seguir.
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Palavras-chave: Património Mundial, Unesco, São Tomé e Príncipe, roças, cacau, café, património colonial, turismo cultural, história, conservação do património
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