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2026-07-20 19:36 por Viviane Oliveira António
Mais de uma semana depois do prazo inicial, há alunos que continuam sem notas, outros que as viram desaparecer da plataforma e cerca de 1.400 exames que surgiram nas pautas com a indicação de "suspenso". A segunda fase dos exames começa esta terça-feira, mas a Fenprof afirma não estar tranquila.
A 17 de julho, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, garantiu que todos os exames nacionais do ensino secundário estavam classificados e que as pautas seriam afixadas até ao final desse dia. As escolas começaram a receber as notas apenas ao início da noite. O ministro recusou definir uma hora limite para a afixação: "Vamos afixar as pautas às 10 da noite, às 5 da tarde, às 8 da noite", afirmou.
A 18 de julho, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) revelou que cerca de 1.400 provas tinham surgido nas pautas com a indicação de "suspenso". As desconformidades resultaram de exames enviados tardiamente pelas escolas, folhas de resposta incompletas ou informações em falta. O EduQA anunciou que a validação dos resultados dessas provas ocorreria durante esse sábado e que as pautas completas seriam enviadas às escolas a partir de domingo.
Mas há alunos que continuam sem nota. Na escola secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, um aluno do 11.º ano viu na sexta-feira as notas dos três exames que fez Inglês, Físico-Química e Biologia. Bom aluno a Biologia, viu na pauta um "8". A Físico-Química surgiu com 7 valores. O Júri Nacional de Exames identificou um erro na correção automática de um item de Físico-Química, que será novamente corrigido. No domingo, quando o aluno voltou a abrir a plataforma, as notas tinham desaparecido. A mãe contou à Lusa: "Desapareceu tudo e agora não fazemos a mínima ideia do que se passa". Esta segunda-feira, o aluno devia pedir a revisão de provas e é o último dia para se inscrever na segunda fase.
Os casos na escola Maria Amália Vaz de Carvalho são diversos: um aluno nunca teve notas, outro viu as notas desaparecerem e uma colega recuperou-as esta segunda-feira. A escola não tinha ninguém disponível para esclarecer a situação.
A 17 de julho, a Fenprof entregou uma queixa na Procuradoria-Geral da República. O sindicato alega que foram dadas "ordens escritas no sentido de os professores classificarem itens cujas respostas não estavam completas". O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, afirmou que isso "pode configurar, porque é uma ordem externa, um ilícito". A Fenprof diz ainda que o processo está "inevitavelmente comprometido" e que o ministro "perdeu o controlo e não tem condições para continuar".
Esta segunda-feira, 20 de julho, arranca a primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, com 56.790 vagas. Os resultados da reapreciação das provas só serão conhecidos a 7 de agosto, um dia após o término da primeira fase de candidaturas. O Ministério da Educação garante que "nenhum aluno será prejudicado no acesso ao Ensino Superior por motivos não imputáveis ao próprio".
O bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, defende o reajuste dos prazos de candidatura para evitar desigualdades. Caso contrário, admite, as famílias poderão recorrer a providências cautelares. A Provedoria de Justiça pediu ao Ministério da Educação um ponto de situação sobre as notas e as medidas para a segunda fase.
A Fenprof, por seu lado, afasta um cenário de tranquilidade para a segunda fase dos exames, que começa esta terça-feira. José Feliciano Costa afirmou que as explicações do ministro foram insuficientes: "Não há aqui nenhuma normalidade. Há um processo que ocorreu de forma muito atribulada. Há um conjunto de classificações em que não se pode confiar".
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Palavras-chave: exames nacionais, ensino secundário, classificação digital, Fernando Alexandre, Fenprof, EduQA, Procuradoria-Geral da República, Provedoria de Justiça, Ordem dos Advogados
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