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2026-07-16 22:16 por Sónia Martins Costa
Desde maio de 2026, uma intensa onda de calor atingiu grande parte da Europa. Em várias regiões, os termómetros ultrapassaram os 42°C, enquanto cerca de 95% do território europeu registou temperaturas acima da média anual, agravando o efeito das alterações climáticas, sobre a população e os ecossistemas.
Os especialistas alertam que o calor extremo não provoca apenas desconforto, a combinação entre temperaturas elevadas e a poluição atmosférica criam um risco elevado para a saúde pública. O ar estagnado favorece a acumulação de poluentes, como o ozono, ao nível do solo e partículas finas, enquanto as temperaturas quentes intensificam a possibilidade de incêndios florestais e tempestades de pó e areias, que deterioram a qualidade do ar.
Os hospitais e os serviços de emergência têm registado um aumento, significativo, de casos relacionados com o calor extremo, exaustão térmica, insolação, dificuldades respiratórias e sobrecarga cardiovascular aguda, que acontecem sobretudo na população mais vulnerável, idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas. Consequências que podem persistir para além da estação de verão, através do agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares, na redução da qualidade de vida e no aumento da mortalidade prematura.
No meio ambiente também se vai sentir o impacto negativo ambiental, A seca prolongada e as temperaturas elevadas, provocam stress nas culturas agrícolas, afetam os rebanhos, comprometem as florestas e aumentam significativamente o risco de incêndios. A longo prazo, ainda mais preocupante, os rios e os lagos a registarem níveis historicamente baixos, os solos mais secos e menos produtivos, a biodiversidade a enfrentar perdas que podem demorar décadas a recuperar.
A edição 2026, do relatório Lancet Countdown in Europe, publicada na revista The Lancet Public Health, coloca Portugal e a Espanha entre os países europeus, com mais vulnerabilidade, aos impactos do calor extremo na saúde.
Embora Portugal seja reconhecido pelos progressos efetuados, na redução de emissões de gases com efeito de estufa, o relatório destaca que o país continua particularmente exposto, aos efeitos das alterações climáticas. Entre os principais fatores de preocupação estão o aumento dos riscos associados ao calor, incêndios rurais, perda de vegetação e o crescimento de doenças infeciosas, por sensibilidade ao clima.
Outro dado, preocupante, recai sobre as alergias.
Segundo o relatório, a época polínica na Europa prolongou-se, em média, entre uma a duas semanas, de 2015 a 2024, comparativamente a décadas anteriores, aumentando assim, a exposição da população aos alergénios. O documento alerta para o surgimento de condições favoráveis à transmissão de doenças como o dengue. No Alentejo já se sentem características climáticas compatíveis com a circulação deste vírus, na Espanha já se manifestaram casos com esta doença.
Perante um cenário ambiental mais extremado, frequente e intenso, os especialistas recomendam e defendem maiores e mais rápidas respostas coordenadas entre governos, comunidades e cidadãos.
Entre as medidas, normas e regras mais apertadas, para a qualidade do ar, investimento em energias renováveis e transportes públicos, expansão da rede de monitorização ambiental e maior cooperação internacional, no combate á poluição transfronteiriça.
Comunidades que promovem campanhas de sensibilização e defendem políticas públicas mais eficazes, na proteção dos grupos mais vulneráveis.
Cidadãos incentivados a optar por transportes sustentáveis, reduzir a utilização de combustíveis fósseis, adotar medidas de proteção, como o uso de purificadores de ar e máscaras, nos dias de elevada poluição.
A atual onda de calor evidencia que as alterações climáticas deixaram de representar uma ameaça distante para fazerem parte da nova realidade europeia.
O calor extremo e a poluição atmosférica alimentam-se mutuamente, criando um ciclo que compromete a saúde, a segurança alimentar, a biodiversidade e a economia. Os cientistas defendem que, através de políticas climáticas ambiciosas, mais investimento na adaptação e uma maior consciencialização pública, podemos ainda pensar numa redução dos impactos, que serão determinantes na proteção de vidas e do ambiente, para as próximas gerações.Para estar sempre a par do que acontece sobre os temas que mais o cativam ou preocupam, subscreva os nossos alertas ou guarde esta notícia para ler mais tarde na secção "Meu perfil"
Palavras-chave: impacto ambiental, Europa, temperaturas extremas, boas práticas ambientais, soluções meio ambiente, proteção, saúde ambiental, ondas de calor extremas
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