1,7 milhões de satélites podem comprometer a observação do universo, alerta estudo - Antena Web Notícias


2026-07-02 16:54 por Carlos Nhabetse

Um estudo divulgado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) alerta que os planos para colocar cerca de 1,7 milhões de satélites em órbita terrestre poderão comprometer gravemente a observação astronómica e tornar o céu noturno significativamente mais brilhante.

Publicado nesta quarta-feira (1 de Julho), na revista Astronomy & Astrophysics, o estudo conclui que o aumento acelerado do número de satélites representa uma "ameaça existencial" para os telescópios instalados na Terra. Os investigadores defendem que o número de satélites em órbita não ultrapasse os 100 mil, para preservar a capacidade científica de observar o universo.

Atualmente, cerca de 14 mil satélites orbitam a Terra, muitos deles pertencentes à constelação Starlink, da SpaceX. No entanto, empresas privadas e projetos internacionais planeiam expandir rapidamente esse número. A SpaceX pretende lançar mais de um milhão de satélites até 2028, enquanto iniciativas como o programa Cinnamon, da empresa E-Space, as constelações chinesas CTC-1 e CTC-2, e a norte-americana Reflect Orbital também preveem colocar centenas de milhares de novos satélites em órbita.

Segundo o astrónomo Olivier Hainaut, que liderou a investigação, a passagem constante de satélites deixa rastos luminosos nas imagens captadas pelos telescópios, ocultando parte das observações científicas. O investigador alerta que, caso os planos sejam concretizados, praticamente todas as imagens obtidas por telescópios de grande dimensão poderão ser afetadas.

O estudo destaca ainda os riscos associados aos satélites da Reflect Orbital, concebidos para refletir a luz solar durante a noite através de espelhos gigantes. Os cientistas estimam que estes equipamentos poderão aumentar em até quatro vezes o brilho do céu noturno, reduzindo drasticamente a visibilidade das estrelas e dificultando as observações astronómicas.

Além dos impactos na ciência, os investigadores alertam que o aumento da poluição luminosa poderá afetar os ecossistemas, alterar os ritmos biológicos de humanos e animais e agravar o problema dos detritos espaciais. O crescimento do número de objetos em órbita aumenta também o risco de colisões sucessivas entre satélites, fenómeno conhecido como síndrome de Kessler, que poderá comprometer a utilização segura do espaço nas próximas décadas.

A decisão sobre a autorização para o lançamento de várias destas constelações cabe agora à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos da América (FCC), enquanto a comunidade científica apela aos reguladores para que considerem os impactos ambientais e científicos antes de aprovarem novos projetos.

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Palavras-chave: SpaceX / (Starlink), Reflect (Orbital), E-Space (Programa Cinnamon), Constelações chinesas (CTC-1 / CTC-2), Detritos espaciais, Síndrome de Kessler, Impacto nos ecossistemas, Olivier Hainaut, Comissão Federal de Comunicações (FCC)

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