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2026-06-27 23:00 por Carlos Bonaparte
Milhares de pessoas encheram as ruas de Vila Nova de Gaia, Porto e até os barcos no rio Douro., Preços especiais, tudo vestido a rigor, para um acontecimento marcado no mínimo a uma hora estranha: 20:15. Ainda com a plena luz do dia, os transiundes amontoavam-se no cais de Gaia, na Afurada e na zona ribeirinha do Porto, para presenciar o que prometia ser um espetáculo de drones como a Europa nunca viu.
E, em bom rigor, não nos mentiram. Foi um espetáculo que vai ficar para a memória.
O que era para começar às 20:15 começou cerca de 30 minutos mais tarde. O que era compreensível por causa da luz solar, que impediria qualquer demonstração bem sucedida.
Uma breve demonstração de cor e luz mostrava uma página em branco à espera de ser escrita. Depois uma árvore. E depois... depois... depois... depois... depois percebemos que tinha acabado e voltamos todos para casa. Não foi fácil, foi preciso esperar-se mais de 20 minutos até começar a desmobilização. A machadada final foi a retirada dos bombeiros e da polícia marítima. A mesma que antes de dita demonstração, obrigou todas as embarcações que literalmente se atropelavam para proporcionar aos que pagaram os preços especiais para verem o espetáculo diretamente no rio.
De facto os drones sobrevoaram o rio Douro e aterraram do lado do Porto, mas não estavam iluminados e a travessia levou apenas o tempo necessário para ser feita.
Desengane-se quem se sentiu enganado. Embora esteja certo. Já explicamos. One page foi uma performance de arte efémera de Cai Guo-Qiang que se dividiu em 2 momentos. Aqueles que mensionamos aqui. Arte efémera que de facto durou menos de 1 minuto no total da sua exibição. Mas esse era o plano previsto. Um espetáculo de drones e fogo de artifício. que não era como os outros que Cai Guo-Qiang já realizou noutros países, ou, por exemplo, nos Jogos Olímpicos de Pekin. Acontece que esses vídeos circularam no objetivo de mostrar os trabalhos realizados pelo artista chinês, e não para exemplificar o que se poderia esperar na noite deste sábado. Como a promotora do evento disse, nunca se viu um espetáculo destes. Por isso os vídeos não poderiam ser de algo idêntico noutros países.
Para piorar já na semana passada os gaienses e portuenses viram o espetáculo de drones ser cancelado à última da hora. Esse estava envolvido no Air Invictus, que também deixou muito a desejar. Parecia que este sábado é que era. Afinal... não.
Este espetáculo de drones e fogo de artifício insere-se na 1ª edição do festival Babell, um festival organizado pela fundação Lelo, da livraria com o mesmo nome, e a câmara municipal do Porto, que suportou financeiramente o evento com um valor a rondar os 106.5 mil euros.
Nas redes sociais os comentários jucosos multiplicaram-se. "É um acontecimento tão épico que depois de acabar ainda deixou milhares de pessoas admiradas com o que acabou de acontecer", ou, "já vi o primeiro capítulo. Alguém sabe a que horas passam os próximos?". É de esperar um esclarecimento por parte da fundação Lelo ou da câmara municipal do Porto, até porque o que poderia ser um grande momento que unia as povoações das duas margens do rio, pode ser um divisor de águas que afete inclusive a reputação da livraria Lelo, quem acabou por dar o nome a um evento que, dê por onde der, foi um fracasso, tendo em conta a diferença entre o espetáculo realizado e expectativa gerada em cerca de 2500 pessoas.
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Palavras-chave: Vila Nova de Gaia, Porto, performance artística, drones, fogo de artifício, arte efémera, Cai Guo-Qiang, fundação Lelo, Livraria Lelo, câmara municipal do Porto, festival Babell, One Page
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