Texas torna obrigatórias histórias bíblicas nas escolas públicas e reacende debate sobre religião no ensino - Antena Web Notícias


2026-06-27 21:12 por Celso Gamboa

O Estado norte-americano do Texas aprovou uma reforma curricular que torna obrigatória a leitura de histórias e passagens da Bíblia nas escolas públicas, numa decisão que deverá abranger mais de cinco milhões de estudantes e entrar em vigor de forma faseada a partir do ano letivo de 2030–2031. A medida foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação do Texas por nove votos a favor e cinco contra.

A nova lista obrigatória de leituras inclui 13 histórias bíblicas, como os relatos de Noé, Moisés, Abraão, Jonas e Jesus, ao lado de obras clássicas da literatura universal, entre elas Dom Quixote, as fábulas de Esopo e textos de Charles Dickens. Segundo as autoridades educacionais do Texas, o objetivo é reforçar a literacia dos alunos através de obras consideradas fundamentais para a compreensão da história, da cultura e da literatura ocidental.

A decisão insere-se num movimento mais amplo promovido por dirigentes republicanos para aumentar a presença de referências religiosas no sistema de ensino público. Nos últimos anos, o Texas aprovou legislação relacionada com a exibição dos Dez Mandamentos nas salas de aula e incentivou a adoção de currículos com referências ao património judaico-cristão.

A aprovação, contudo, gerou forte contestação de organizações de defesa das liberdades civis, especialistas em educação e representantes de diferentes confissões religiosas. Os críticos sustentam que a medida poderá violar a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que estabelece a separação entre Igreja e Estado, ao favorecer uma tradição religiosa específica no ensino público.

Já os defensores argumentam que o estudo da Bíblia é apresentado sob uma perspetiva histórica e literária, e não como ensino religioso, afirmando que a influência do texto bíblico é indispensável para compreender grande parte da cultura, da arte e da história do Ocidente.

A decisão do Texas deverá alimentar novos debates jurídicos e políticos nos Estados Unidos, num momento em que vários estados governados por republicanos procuram ampliar a presença de conteúdos religiosos nas escolas públicas, enquanto grupos de defesa dos direitos constitucionais prometem recorrer aos tribunais para contestar estas medidas.

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Palavras-chave: Estados Unidos da América, Texas, escolas públicas, Bíblia, educação, religião, currículo escolar, Conselho Estadual de Educação, Constituição dos EUA, separação entre Igreja e Estado

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