VENEZUELA: Número de mortos sobe para 235; aeroporto internacional encerrado e ajuda internacional ultrapassa 130 milhões de euros - Antena Web Notícias


2026-06-26 09:07 por Carlos Nhabetse

A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais da sua história recente. O número oficial de mortos provocados pelos dois fortes sismos de magnitudes 7,2 e 7,5 aumentou para 235, enquanto mais de 4.300 pessoas ficaram feridas e milhares continuam desaparecidas sob os escombros, numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes.

Entre as vítimas mortais encontram-se dois cidadãos portugueses e quatro lusodescendentes, segundo confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

De acordo com o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS), os dois sismos ocorreram com apenas alguns segundos de intervalo, constituindo os mais fortes registados na Venezuela em mais de um século. As previsões do organismo indicam que o número final de vítimas poderá aumentar significativamente, devido à magnitude do desastre e ao elevado número de pessoas ainda desaparecidas.

As regiões costeiras de La Guaira, a norte de Caracas, concentram os maiores níveis de destruição. Prédios residenciais, hotéis, hospitais e infraestruturas públicas desabaram, obrigando milhares de famílias a permanecerem nas ruas.

As equipas de resgate trabalham sem interrupção, recorrendo a maquinaria pesada, cães farejadores e tecnologia de deteção para localizar pessoas presas sob os edifícios destruídos. Apesar disso, muitos moradores denunciam demora na chegada dos meios de socorro e afirmam que são os próprios vizinhos que continuam a remover escombros com as próprias mãos.

Um dos principais entraves às operações humanitárias é o encerramento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal porta de entrada aérea do país, depois de sofrer danos estruturais causados pelos abalos. A suspensão das operações aéreas dificulta a chegada de equipas internacionais, medicamentos, alimentos e equipamentos de salvamento.

Perante a dimensão da catástrofe, a comunidade internacional mobilizou uma das maiores respostas humanitárias dos últimos anos.

Os Estados Unidos anunciaram um pacote inicial de 150 milhões de dólares, equivalente a cerca de 130 milhões de euros, destinado às operações de busca, assistência médica, ajuda humanitária e recuperação das zonas afetadas. Washington enviou ainda equipas especializadas de busca e salvamento e flexibilizou temporariamente algumas sanções para facilitar as transações relacionadas com a ajuda internacional.

Portugal prepara o envio de uma missão composta por 53 especialistas, incluindo elementos da proteção civil, médicos, enfermeiros, equipas de emergência e unidades cinotécnicas da GNR.

A Organização das Nações Unidas (ONU) apelou a um "esforço coletivo massivo" para responder à emergência, enquanto a União Europeia ativou o sistema de satélites Copernicus para apoiar as operações de avaliação de danos.

Também Espanha, França, Alemanha, Suíça, Países Baixos, China, Brasil, México, Argentina, Chile, Equador, El Salvador, Panamá, Costa Rica e República Dominicana já anunciaram o envio de equipas de resgate, hospitais de campanha, medicamentos, maquinaria pesada e ajuda financeira.

As autoridades venezuelanas mantêm o estado de emergência e admitem que as próximas 72 horas serão decisivas para encontrar sobreviventes. Entretanto, milhares de pessoas continuam a dormir ao relento devido ao risco de novos desabamentos, enquanto sucessivas réplicas mantêm a população em estado de alerta.

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Palavras-chave: Venezuela, La Guaira, Caracas, Catástrofe natural, Sismos, Estado de emergência, Réplicas, Feridos, Desaparecidos, Vítimas mortais, União Europeia, ONU, Ajuda humanitária

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