Falecimento do criador da Mango: investigação inclui novas testemunhas e reconstituição do crime - Antena Web Notícias


2026-06-23 22:00 por Helena João

A morte de Isak Andic, fundador da Mango, tem um novo capítulo com a adição de testemunhas cruciais e uma reconstituição. A juiza ordenou mais uma reconstrução pericial da queda fatal que ocorreu em Montserrat no dia 14 de dezembro de 2024. Essas novas diligências encaixam-se no processo em que Jonathan Andic, o filho mais velho do empresário e o único a acompanhá-lo na excursão, continua a ser investigado por um suposto homicídio. De acordo com o despacho, a juíza resolveu citar umas dez pessoas do círculo familiar e profissional de Isak Andic. Entre estas encontram-se a terapeuta que acompanhou vários membros da família, Sarah e Judith Andic, a companheira do empresário, Toni Ruiz, e vários agentes da Unidade de Intervenção de Montanha dos Mossos d'Esquadra. Foi chamada também a secretária da família e dois agentes que estiveram entre os primeiros a chegar no local da queda.

A magistrada determinou a localização e tomada de declarações de excursionistas que tiveram contacto com Jonathan Andic após a queda do pai. Entre eles está uma das pessoas que o auxiliou nos momentos seguintes ao acidente. Uma das questões que ganhou proeminência na investigação são as mensagens trocadas entre Isak Andic, Jonathan Andic e a terapeuta familiar durante um processo terapêutico. O Ministério Público acredita que estas conversas mostram um deteriorar na relação entre pai e filho, enquanto a defesa argumenta que devem ser interpretadas no contexto da terapia. Entre estas mensagens inclui-se uma em que Jonathan Andic escreveu para a terapeuta: "Não me surpreende que tenhas pensado que eu era capaz até de te matar", uma frase que a sua defesa sustenta que deve ser compreendida como uma expressão metafórica usual nas terapias psicanalíticas.

Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, foi libertado sob fiança após pagar a caução de um milhão de euros exigida pela juíza. Dito à RTVE, "Tinha algum desentendimento, mas nada grave".

A juíza também decidiu ouvir as irmãs de Jonathan Andic. Nas declarações anteriores, Sarah Andic disse que nunca viu o seu pai discutir como irmão e negou que ele tivesse uma "obsessão por dinheiro". Judith Andic, por outro lado, mencionou "algum desentendimento, mas nada grave" entre os irmãos, de acordo com documentos do caso. Judith também declarou que o seu pai reuniu os três filhos para informar a sua intenção de criar uma fundação e assegurou que Isak Andic"não tinha a intenção ou sequer pensava em deserdar Jonathan".

Além dos novos depoimentos, a magistrada encomendou uma reconstrução técnica da queda. Esta investigação incluirá os médicos legistas que realizaram a autópsia, a polícia científica e os peritos que inspecionaram o local do incidente. O propósito é examinar se as lesões do empresário são compatíveis com a dinâmica da queda e os vestígios encontrados na área. Alguns dos itens a serem analisados incluem um relógio, um casaco, vestígios de sangue e diversas marcas localizadas na trilha de Montserrat onde o ocorrido teve lugar. A juíza também solicitou o histórico médico, assistencial e farmacológico completo de Isak Andic. A defesa argumenta que problemas de saúde, como a artrose que o empresário sofria, poderiam ter contribuído para uma queda acidental. Já o Ministério Público acredita que esta documentação pode ser importante para esclarecer as circunstâncias da sua morte. A magistrada, por agora, rejeitou algumas das solicitações do Ministério Público, como a apreensão de todos os dispositivos eletrônicos de Jonathan Andic, considerando que esta medida ainda não está devidamente justificada. A investigação continua aberta.

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