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2026-06-18 16:34 por Helena João
A capital francesa acaba de receber uma novidade cultural que promete mudar a forma como os moradores e turistas se relacionam com os livros. Este mês, Paris viu nascer a Nanna, uma livraria que navega as águas, com o seu ponto de atração no Quai de Montebello, exatamente ao pé da icônica Catedral de Notre-Dame.
Situada em uma barcaça ancorada no rio Sena, esta iniciativa oferece mais de 5000 títulos à disposição para quem quiser levar. Os visitantes podem pegar qualquer obra sem a obrigação de devolvê-la, abraçando um conceito de partilha comunitária com o intuito de tornar o acesso à leitura mais acessível a todos.
De acordo com os idealizadores do projeto, a Nanna autodenomina-se a “maior caixa de livros de Paris”. A sua coleção abrange desde a literatura francesa até clássicos globais, passando por poesia, teatro e uma seleção especial de autoras contemporâneas. A curadoria literária fica a cargo de Hugo Buton, responsável por organizar a coleção e impulsionar as atividades culturais. No entanto, a embarcação vai além dos livros. Ao cair da tarde, o espaço transforma-se em um ponto de encontro cultural pulsante, com uma programação eclética que inclui sets de DJs, conversas com autores, sessões de *speed dating* literário, debates e apresentações artísticas. O objetivo é proporcionar uma experiência que funcione literatura, socialização e a vida noturna às margens do rio.
A chegada da Nanna acontece em uma cidade que já ostenta uma rica tradição livreira ligada ao Sena. As famosas bancas dos *bouquinistes*, reconhecidas como a maior livraria ao ar livre do planeta, cobrem aproximadamente três quilômetros ao longo das margens do rio, sendo um dos cartões postais culturais de Paris. Atualmente, cerca de 240 vendedores gerenciam mais de 900 bancas verdes, um marco histórico e patrimônio cultural francês.
Esta iniciativa também surge em um momento de desafios para o setor livreiro na França. Dados recentes indicam que 2025 marcou o primeiro ano em que o número de encerramentos de livrarias superou o de novas aberturas no país, o que confere aos projetos inovadores, como a Nanna, uma relevância especial na promoção da leitura e da vitalidade cultural urbana.
Com permissão para permanecer no local nos próximos dez anos, a livraria flutuante consolida-se como um novo marco cultural na capital francesa, combinando herança histórica, literatura e lazer em um cenário ímpar com vista privilegiada para Notre-Dame.
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