A artista plástica Joana Vasconcelos, conhecida pelas suas obras de objetos quotidianos em tamanhos monumentais, leva a França duas exposições: Bonnes Mères, que fica exposta em Marselha até agosto de 2026 e L’Absurd et le Rêve, que se inicia em junho em Villefranche-sur-Mer e fica até outubro deste ano.
Joana Vasconcelos é conhecida na cena artística portuguesa desde final dos anos 1990, mas foi em 2005 que teve o seu reconhecimento internacional quando expôs na Bienal de Veneza a peça “A noiva”, um lustre de tamanho 6x3 metros, que era composta por tampões higiênicos femininos.
Foto: Luís Vasconcelos
Para além disso, Joana é conhecida por ter sido a primeira artista mulher e criadora mais jovem a expor no Palácio de Versalhes, em França, tendo sido essa sua exposição, Royal Valkyrie, de 2012, a mais visitada dos últimos 50 anos, à época.
A artista visa temas atuais como o papel da mulher na sociedade e sobre a sociedade de consumo.
Foto: Martin Kennedy
Assim, após mais de 30 anos de carreira, ela apresenta a exposição Bonnes Mères (Boas Mães, em tradução livre) na cidade de Marselha, no sul de França, onde apresenta a sua visão sobre o campo da maternidade. Essa mostra é coletiva e dialoga com outros artistas. Sempre em busca de dialogar com o contexto da sociedade atual e os dilemas enfrentados pelas mulheres, principalmente. Segundo a autora, no seu website: “Inspirada nas tradições culturais do Mediterrâneo, Bonnes Mères explora a maternidade enquanto experiência íntima, construção social, questão política e tema recorrente na arte.
Organizada em três secções temáticas, a exposição percorre o imaginário das figuras maternas tradicionais, revela as múltiplas, e por vezes invisíveis, realidades da maternidade e termina com uma reflexão sobre os laços e as formas de transmissão que estruturam a relação entre mãe e filho.
Concebida como um percurso imersivo e luminoso, a exposição evidencia as dimensões física, simbólica e política da maternidade, prestando também homenagem a figuras maternas frequentemente relegadas para a sombra.”
A exposição inclui uma obra icónica, o Coração de Viana, inserida no tema das perspectivas culturais da maternidade. Fica aberta ao público até 31 de agosto de 2026, no Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo (MUCEM).
Em paralelo a essa, ocorre em Villefranche-sur-Mer, uma pequena cidade mediterrânica, a exposição L’Absurde et La Rêve (O absurdo e o sonho, em tradução livre). Uma mostra de verão que, em colaboração com o artista plástico belga Arne Quinze, propõe uma experiência imersiva, com diálogos ao surrealismo. Fica em cartaz entre 20 de junho e 31 de outubro de 2026, na Citadelle, Centro de artes e museu da cidade.
Foto: pleinsud.art
Segundo o website pleinsud.art: “O escultor belga Arne Quinze convida a artista portuguesa Joana Vasconcelos para se juntar a ele na criação de um conjunto de obras extraordinário, explorando o poético, o surreal e o inesperado.
No espírito de Jean Cocteau, cujo legado está profundamente enraizado em Villefranche-sur-Mer, a exposição convida os visitantes a redescobrir o surrealismo e o pensamento onírico como lentes essenciais para refletir sobre o crescente distanciamento entre a cultura contemporânea e a natureza. Uma perda e uma forma de alienação que Quinze considera profundamente prejudiciais.
Espalhada por toda a Cidadela, a exposição se desdobra através de instalações monumentais ao ar livre, lado a lado com ambientes internos mais intimistas. Ela oferece a Quinze e Vasconcelos um espaço único de expressão, permitindo-lhes moldar uma narrativa singular e imersiva.”
Na cena brasileira, a artista apresenta a exposição Jardim do Éden, no Farol Santander, em São Paulo. Segundo a artista, é uma “exposição imersiva, que propõe uma reflexão sobre natureza, artificialidade e tecnologia [...] totalmente no escuro, guiada apenas pelas flores (que a compõem) enquanto uma paisagem sonora subtil, gerada pelo funcionamento mecânico da obra, reforça a sensação de imersão”
De facto, a exposição foi concebida exclusivamente para ocupar o 23º andar do prédio, onde fica a galeria de arte.
A curadoria é do brasileiro Fernando Zugno e fica em exposição até ao dia 21 de junho de 2026.
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