O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), localizado no Centro Histórico de Salvador, anunciou a maior repatriação de obras de arte alguma vez realizada no Brasil.
No total, 666 peças de 135 artistas afro-brasileiros passaram a integrar o acervo da instituição. A iniciativa contou com o apoio do Ministério da Cultura.
As obras chegaram a Salvador em janeiro, após um processo de transporte internacional com o apoio da Alfândega da Receita Federal.
Segundo a ministra da Cultura, Margareth Menezes, que participou no anúncio, a repatriação representa um reencontro do Brasil com a sua própria história, reforçando a dignidade, a identidade e o sentimento de pertença cultural do povo afro-brasileiro.
Receber este acervo reforça a missão do museu de contar a história do Brasil a partir de uma perspetiva democrática, inclusiva e plural. O Governo Federal reconhece a arte afro-brasileira e a sua imensa contribuição para a arte do país, e este é também um gesto de preservação e manutenção do legado criativo e artístico da arte negra para o presente e para as futuras gerações.
Com a incorporação das obras, o MUNCAB passa a albergar uma das maiores coleções de arte afro-brasileira do país, ampliando o acesso do público a obras que narram trajetórias, estéticas e imaginários historicamente marginalizados e reafirmando a cultura como instrumento de reparação, pertença e construção de futuro.
Acho que isso é uma coisa que a gente precisa, cada vez mais, trabalhar com o cidadão e a cidadã do Brasil, em todos os estados, em todos os aspectos, da gente entender que esse valor é uma coisa que pertence a todas as gerações e que é bom, beneficia a gente chegar em museus como esse, contemplar a arte e a cultura, que trazem para nós o fortalecimento da nossa identidade.
À frente do museu, a diretora Jamile Coelho salientou o carácter histórico da ação.
As obras faziam parte de uma coleção privada de duas cidadãs norte-americanas ao longo de mais de 30 anos. A coleção saiu do Brasil de forma legal e regressa por decisão consciente das colecionadoras, que reconheceram a importância do seu retorno à origem.
Repatriar vem da pátria em latim, que significa voltar ao lugar de pertencimento. E hoje a gente anuncia a maior repatriação de obras de arte da história do Brasil. Trata-se de uma devolução com um forte valor simbólico histórico.
O acervo reúne obras como pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, xilogravuras, arte sacra, objetos rituais, estampas e outras tipologias, com obras de artistas brasileiros.
A abertura da exposição está prevista para o início de março.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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