Na semana em que o Comité de Política Monetária (Copom) indicou que a taxa básica de juro poderá iniciar, a partir de março, uma trajectória de descida a partir do nível mais elevado das últimas duas décadas — após a sexta reunião consecutiva de manutenção da taxa anual em 15% —, a Sondagem da Indústria da Construção revela que a elevada carga fiscal passou a ser o principal obstáculo enfrentado pelo sector.
De acordo com o inquérito, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), este entrave aumentou cinco pontos percentuais entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, passando de 32,2% para 37,2%. Desta forma, ultrapassou as taxas de juro elevadas, que passaram a ser a segunda maior preocupação dos industriais da construção, com 32,1%.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Económica da CNI, este cenário resulta de dois factores.
“O lançamento de programas importantes para o sector, assim como a expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajuda bastante as expectativas do sector da construção, por isso essa melhora já acontecendo desde o final do ano passado e se consolidando nesse início de 2026.”
Expetativas em alta
Todos os índices de expectativas registaram crescimento no primeiro mês do ano, dando continuidade ao optimismo observado em dezembro:
• Novos empreendimentos e serviços: +1,8 ponto, para 52,9 pontos;
• Número de trabalhadores: +1,8 ponto, para 52,8 pontos;
• Nível de atividade: +1,1 ponto, para 52,8 pontos;
• Compras de matérias-primas: +0,8 ponto, para 52,5 pontos.
Insatisfações persistem
Apesar das expectativas positivas, o sector continua a enfrentar dificuldades no cenário atual. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção situou-se nos 48,6 pontos, enquanto a facilidade de acesso ao crédito atingiu apenas 39 pontos no período. Já o índice de satisfação com o lucro operacional recuou 0,3 ponto, fixando-se em 45,1 pontos. Todos estes indicadores permanecem abaixo da linha considerada satisfatória, de 50 pontos.
“Quando se fala da construção, estamos falando de um produto de um ritmo de produção que envolve um período bastante longo, muitas vezes com uma necessidade muito grande de aporte de recursos em alguns momentos, muitas vezes com crédito para fazer os seus empreendimentos. À medida que o acesso ao crédito fica difícil por conta das taxas de juros bastante elevadas, isso afeta bastante o sector”, esclarece Azevedo.
Atividade em queda
Neste contexto, o índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção encerrou 2025 com 44,7 pontos, o pior resultado para o mês desde 2018. Com a atividade mais fraca, a utilização da capacidade operacional manteve-se estável em 67%, o mesmo nível observado em dezembro de 2024. Já o índice do número de trabalhadores caiu 1,2 ponto, para 45,7 pontos, ainda assim acima da média histórica para o mês (43,8 pontos).
Metodologia
A edição de dezembro de 2025 da Sondagem da Indústria da Construção ouviu 315 empresas — 123 pequenas, 134 médias e 58 grandes — entre 5 e 14 de janeiro de 2026.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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