O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, avaliou como positiva a perspectiva de implementação do Acordo Mercosul–União Europeia e os seus impactos na inserção do Brasil no mercado internacional.
A União Europeia é o maior investidor estrangeiro no Brasil, com um stock superior a US$ 464 mil milhões em Investimento Directo Estrangeiro (IDE), o equivalente a mais de 40% do total recebido pelo país. Neste contexto, Viana sublinhou que o acordo reforça a previsibilidade económica e tende a impulsionar novos fluxos de investimento.
“O acordo não trata apenas de comércio. Estamos a falar da retoma de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil nas cadeias globais de valor e incentivar fluxos de capital”, afirmou Viana, durante uma conferência de imprensa realizada na sede da ApexBrasil, em Brasília.
O tratado foi politicamente concluído em 2024 e assinado a 17 de Janeiro de 2026. Segundo o presidente da ApexBrasil, o acordo amplia significativamente as oportunidades para empresas brasileiras interessadas em aceder a mercados internacionais.
“O Brasil voltou a ter um protagonismo muito forte e consistente. O agronegócio brasileiro está cada vez mais sustentável e a nova indústria nacional está a retomar com grande dinamismo”, avaliou.
Apesar da apreensão momentânea gerada pela judicialização do texto no Parlamento Europeu, o clima permanece de confiança quanto à ratificação.
“Foi uma manobra política de sectores contrários ao acordo, o que faz parte do jogo democrático”, afirmou aos jornalistas.
Articulação política para aprovação do acordo
No âmbito do avanço do tratado, a ApexBrasil tem intensificado o diálogo com o Congresso Nacional e com parceiros internacionais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Nelsinho Trad, passaram a integrar uma comitiva dedicada a aprofundar as conversações com o Parlamento Europeu.
“A missão agora é também do Congresso Nacional contribuir para a interlocução com os outros parlamentos do Mercosul, de forma a aprovar o acordo o mais rapidamente possível”, destacou Viana.
A ApexBrasil planeia ainda reforçar a sua estratégia de comunicação na Europa, com o objectivo de melhorar a percepção do Brasil junto do sector privado europeu.
“Vamos mostrar que o Brasil não é um bicho-papão”, afirmou, referindo que estão previstas reuniões, missões empresariais e encontros com parlamentares e investidores europeus.
Benefícios económicos e oportunidades comerciais
Um levantamento da ApexBrasil indica que o acordo criará um mercado integrado de cerca de 720 milhões de consumidores. O estudo identificou 543 oportunidades imediatas de exportação em quatro regiões da Europa.
Esses produtos representam um mercado potencial de US$ 43,9 mil milhões em importações anuais da União Europeia. Atualmente, o Brasil exporta cerca de US$ 1,1 mil milhões desses itens para o bloco.
As oportunidades abrangem 25 dos 27 Estados-Membros da UE, com maior concentração na Europa Ocidental. O acordo permitirá ainda a formação de um PIB agregado estimado em US$ 22 biliões, reforçando o reposicionamento do Brasil no maior mercado importador do mundo.
Entre os principais benefícios estão:
•eliminação imediata de tarifas em diversos sectores;
• maior segurança jurídica para investimentos;
• estímulo à diversificação da pauta exportadora brasileira.
Para apoiar as empresas na adaptação aos padrões técnicos, ambientais e de sustentabilidade exigidos pela UE, a ApexBrasil tem mapeado oportunidades estratégicas e desenvolvido ações de capacitação e promoção comercial.
Sectores com maior potencial
Os sectores com maior potencial de crescimento incluem:
• máquinas e equipamentos de transporte;
• produtos manufacturados;
• indústria química;
• matérias-primas;
• alimentos e produtos agro-industriais.
Destacam-se ainda motores e geradores eléctricos, aeronaves, componentes automóveis e produtos de base agrícola.
No agronegócio, Viana salientou que a redução de tarifas e a ampliação de quotas devem favorecer a complementaridade entre os blocos.
“Será um fluxo complementar, e não concorrencial, entre o Mercosul e a União Europeia”, afirmou.
Perspetivas
O presidente da ApexBrasil reforçou que a agência trabalhará para assegurar que as empresas brasileiras estejam preparadas para atuar com eficiência neste novo contexto comercial.
“Aquilo que produzimos pode complementar o que a Europa tem num clima temperado, que também apresenta limitações. Eles estão mais próximos do consumidor final e têm uma logística extraordinária”, observou.
“Temos condições concretas para transformar o potencial mapeado em resultados reais. O Brasil enfrenta uma das maiores janelas estratégicas das últimas décadas para ampliar as exportações, e o cenário, apesar de por vezes turbulento, continua favorável”, concluiu.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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