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2026-01-30 08:24 por Ringo Nogueira
A depressão Kristin, uma tempestade de intensidade excecional, atravessou Portugal continental na madrugada de quarta-feira, deixando um rasto de grande destruição, danos extensos em infraestruturas essenciais e seis vítimas mortais confirmadas. Ventos extremamente fortes, precipitação intensa e instabilidade atmosférica afetaram vastas áreas do território nacional, provocando milhares de ocorrências registadas pela Proteção Civil.
As autoridades confirmaram pelo menos seis mortes diretamente associadas aos efeitos da tempestade, em diferentes pontos do país, nomeadamente nos distritos de Leiria, Lisboa e Faro. Registaram-se ainda dezenas de feridos, alguns com gravidade, e várias famílias ficaram temporariamente desalojadas, sobretudo em zonas mais expostas ao vento e à queda de estruturas.
A passagem da depressão Kristin ficou marcada por rajadas de vento superiores a 150 km/h, com valores extremos registados em zonas do litoral e em áreas militares, comparáveis a fenómenos de natureza ciclónica. A violência do vento provocou a queda generalizada de árvores, destruição de coberturas, danos em edifícios públicos e privados e o colapso de estruturas metálicas e publicitárias.
O sistema elétrico nacional foi severamente afetado, com centenas de postes derrubados e linhas de média e alta tensão danificadas. Milhares de habitações e empresas ficaram sem eletricidade durante várias horas, algumas durante mais de um dia. As telecomunicações também sofreram falhas, incluindo interrupções temporárias em redes móveis e no sistema de comunicações de emergência, dificultando a coordenação inicial dos meios de socorro.
A tempestade causou fortes perturbações na mobilidade, com estradas cortadas por quedas de árvores, linhas ferroviárias interrompidas e atrasos significativos no transporte público. Vários estabelecimentos de ensino foram encerrados preventivamente e serviços públicos funcionaram de forma limitada, sobretudo nas regiões mais atingidas.
O litoral português manteve-se sob vigilância reforçada, em particular nas zonas costeiras do Norte e Centro, devido à agitação marítima severa associada à depressão Kristin. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu avisos laranja e amarelo, alertando para ondas superiores a seis metros, vento forte e risco elevado de galgamento costeiro. Municípios como Viana do Castelo, Esposende, Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré, Peniche e Ericeira interditaram acessos a zonas ribeirinhas e costeiras, condicionaram barras marítimas e apelaram à população para evitar a aproximação ao mar.
Perante a dimensão dos estragos, o Governo decretou situação de calamidade em vários municípios, permitindo acelerar mecanismos de apoio, reconstrução e proteção social. O primeiro-ministro deslocou-se às áreas mais afetadas, acompanhado por membros do executivo, garantindo que “todos os meios necessários” seriam mobilizados para apoiar as populações.
A Proteção Civil registou milhares de ocorrências, envolvendo quedas de árvores, inundações, desabamentos parciais e pedidos de assistência. Bombeiros, forças de segurança, técnicos de energia e comunicações trabalharam ininterruptamente para garantir o socorro às vítimas, a limpeza das vias e o restabelecimento gradual dos serviços essenciais.
Apesar do afastamento progressivo da depressão Kristin, as autoridades mantêm recomendações de prudência, sobretudo em zonas florestais e costeiras, alertando para o risco de novos desprendimentos, estruturas instáveis e mar agitado. A população é aconselhada a acompanhar as atualizações meteorológicas e a seguir as indicações da Proteção Civil.
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