A edição mais recente do Boletim InfoGripe, divulgada esta sexta-feira (16) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica um crescimento acelerado dos casos graves de influenza A nos estados do Acre e do Amazonas. O avanço da doença tem impulsionado o aumento das hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já atingem níveis elevados na região.
No Nordeste, estados como Ceará, Pernambuco e Sergipe registam também um ligeiro aumento dos casos graves de influenza A, ainda sem impacto significativo nas internações por SRAG. Em sentido oposto, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentam sinais de desaceleração das hospitalizações associadas ao vírus.
Em comunicado, a investigadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e integrante do InfoGripe, Tatiana Portella, salienta que a campanha de vacinação contra a influenza já teve início na Região Norte.
“Por isso, é fundamental que a população de risco — como idosos, crianças e pessoas com comorbilidades — procure um centro de saúde o mais rapidamente possível para se proteger contra o vírus”, reforça.
Cenário nacional
A nível nacional, o boletim indica a manutenção da tendência de queda ou de estabilidade dos casos de SRAG em todas as faixas etárias, reflexo da baixa circulação da maioria dos vírus respiratórios.
Mesmo a influenza A — responsável pelo aumento dos casos de SRAG em crianças pequenas, adultos e idosos no Amazonas, e em crianças pequenas e idosos no Acre — mantém baixa circulação na maioria dos restantes estados.
De forma geral, a maior incidência de SRAG ocorre entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra sobretudo entre os idosos. Considerando apenas os casos de SRAG causados por Sars-CoV-2 (Covid-19) ou influenza A, a incidência é mais elevada em crianças e idosos, com impacto mais grave na mortalidade da população idosa.
O levantamento indica ainda que três das 27 capitais apresentam níveis de incidência de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento a longo prazo: Manaus (AM), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).
Prevalência dos vírus
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos de SRAG foi a seguinte:
• 21,9% — influenza A
• 3,1% — influenza B
• 6,9% — vírus sincicial respiratório (VSR)
• 36% — rinovírus
• 14,8% — Sars-CoV-2 (Covid-19)
Entre os óbitos, a presença dos agentes foi:
• 29,8% — influenza A
• 3,3% — influenza B
• 4,1% — VSR
• 20,7% — rinovírus
• 38,8% — Sars-CoV-2 (Covid-19)
O levantamento do InfoGripe baseia-se em dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe, actualizados até 10 de Janeiro, e refere-se à Semana Epidemiológica (SE) 1.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
Para estar sempre a par do que acontece sobre os temas que mais o cativam ou preocupam, subscreva os nossos alertas