Morre a princesa Irene de Grécia aos 83 anos - Antena Web Notícias


2026-01-16 08:43 por Ringo Nogueira

Comunicado oficial e momento da morte

A princesa Irene de Grécia e Dinamarca, irmã mais nova da rainha emérita Sofia de Espanha e irmã do falecido rei Constantino II, morreu esta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, às 11h40, no Palácio da Zarzuela, em Madrid, rodeada de familiares, confirmaram a Casa Real espanhola e a família real grega em comunicados oficiais.

Porque é chamada princesa da Grécia e da Dinamarca

O título de princesa da Grécia e Dinamarca tem origem histórica na própria dinastia real grega. A família real da Grécia pertence à Casa de Glücksburg, uma casa real de origem dinamarquesa. O primeiro rei da Grécia moderna, Jorge I, foi originalmente príncipe da Dinamarca, filho do rei Cristiano IX, conhecido como o “sogro da Europa”. Quando Jorge I subiu ao trono grego em 1863, os seus descendentes mantiveram automaticamente os títulos de príncipes da Grécia e da Dinamarca, conforme tradição dinástica reconhecida pelas casas reais europeias. Por essa razão, Irene, como neta de um príncipe dinamarquês e membro direto da dinastia grega, usou oficialmente ambos os títulos ao longo da vida.

Primeiros anos e vida pessoal

Irene nasceu a 11 de maio de 1942 na Cidade do Cabo, na África do Sul, durante o exílio da família real provocado pela Segunda Guerra Mundial, filha do rei Paulo I da Grécia e da rainha Frederica. Cresceu entre deslocações forçadas e regressos temporários à Grécia, num contexto marcado por instabilidade política e pela posterior abolição da monarquia em 1973. Nunca se casou nem teve filhos, optando por uma vida discreta, afastada das funções políticas e protocolares da realeza.

Residência em Espanha e atividade humanitária

Após o exílio definitivo da família real grega, Irene passou a residir no Palácio da Zarzuela, em Madrid, junto da irmã, Sofia, então rainha de Espanha. Em 2018 adquiriu a nacionalidade espanhola, sem nunca abdicar da sua identidade histórica como princesa grega e dinamarquesa. Dedicou grande parte da vida a causas culturais, espirituais e solidárias, com destaque para a Fundação Mundo em Harmonia, da qual foi presidente durante várias décadas.

Saúde, últimos anos e legado

Nos últimos anos, a princesa enfrentava um progressivo agravamento do estado de saúde, o que levou à redução quase total da sua vida pública. A rainha emérita Sofia acompanhou-a de perto até ao fim. A sua morte encerra um capítulo importante da história da monarquia grega no exílio, sendo lembrada como uma figura reservada, intelectual e profundamente dedicada a causas humanitárias.

Funerais e despedida oficial

O funeral deverá realizar-se segundo o rito ortodoxo, com cerimónias em Espanha e posterior traslado do corpo para a Grécia. A sepultura está prevista no Cemitério Real de Tatoi, junto dos pais e do irmão, Constantino II, último rei dos Helenos.

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