O continente europeu acordou este domingo em estado de alerta diplomático. Enquanto o governo americano celebra a detenção de Nicolás Maduro, as capitais europeias oscilam entre o reconhecimento da "ilegitimidade" do líder venezuelano e o apelo urgente à "contenção" e ao respeito pelo Direito Internacional.
A Voz de Bruxelas: Legitimidade vs. Legalidade
A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, foi das primeiras a reagir. Numa declaração cuidadosamente ponderada após conversações com o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, Kallas reiterou que a UE não reconhece a legitimidade de Maduro, mas sublinhou que qualquer solução "deve respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas".
"Pedimos contenção. A UE afirmou repetidamente que o senhor Maduro carece de legitimidade, mas o Direito Internacional tem de ser respeitado em todas as circunstâncias", afirmou Kallas.
Portugal: Foco na Comunidade Luso-Venezuelana
Para o governo de Lisboa, a prioridade é humanitária e consular. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que, embora Portugal nunca tenha reconhecido o último mandato de Maduro, a intervenção militar dos EUA coloca questões de legalidade complexas.
• Proteção Consular: A embaixada em Caracas instou todos os portugueses e lusodescendentes a permanecerem em casa. Até ao momento, não há registo de vítimas entre a comunidade.
• Posição Política: Rangel defendeu que a solução ideal seria a posse do vencedor legítimo das eleições de 2024, mas alertou que "a situação ainda não é clara".
• Críticas Internas: À esquerda, Catarina Martins condenou a "violação inequívoca do direito internacional", comparando a ação de Trump à invasão russa da Ucrânia e acusando os EUA de procurarem apenas o controlo do petróleo.
O Eixo Londres-Madrid-Roma
A resposta no resto da Europa revela diferentes graus de alinhamento com Washington.
O Primeiro-Ministro de Inglaterra, Keir Starmer distanciou-se da operação, garantindo que Londres não teve qualquer envolvimento. "Queremos estabelecer os factos primeiro antes de tomar uma posição definitiva", declarou.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol ofereceu-se como "mediador" para garantir que a transição não resulte numa guerra civil, apelando à moderação absoluta.
França e Dinamarca: Ambos os países emitiram notas de preocupação com a utilização da força unilateral, enquanto a Itália mostrou-se mais aberta a legitimar a ação americana como um "passo necessário" para restaurar a democracia.
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