A produtividade das empresas industriais acompanhadas pelo programa Brasil Mais Produtivo (B+P) registou um aumento médio de 28%, segundo dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Em dois anos, a iniciativa alcançou 67,5 mil empresas, sendo 30,5 mil do setor industrial e 37 mil dos segmentos do comércio e dos serviços. Como as empresas podem participar em mais do que uma modalidade, o total de atendimentos ultrapassou 90 mil.
Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa é desenvolvido em parceria com o Sebrae, o SENAI, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).
O objetivo é oferecer às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) oportunidades para aumentar a produtividade, reduzir custos e impulsionar o volume de negócios através da transformação digital, da melhoria de processos e do aperfeiçoamento da gestão.
As ações incluem consultorias especializadas, orientações técnicas e apoio financiado pelos parceiros do B+P.
Na quarta-feira (26), a sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, recebeu o evento comemorativo dos dois anos do programa. Durante a cerimónia, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou o papel estratégico das instituições participantes.
“O SENAI realiza o diagnóstico: como digitalizar a empresa, como melhorar a eficiência, a produtividade, substituir equipamentos, melhorar a eficiência energética, reduzir consumo e custos. E o Sebrae trabalha toda a parte de gestão da pequena empresa, para que tenha uma administração mais robusta”, afirmou.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, reforçou a importância da colaboração entre o governo e o setor produtivo no fortalecimento das MPMEs.
“Essa complementaridade entre os atores permite qualificar e tornar competitiva toda a cadeia, sobretudo as pequenas e médias empresas. A CNI tem conhecimento técnico e tecnológico, e o Sebrae conhece profundamente este público.”
O diretor técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick, também sublinhou os resultados positivos da parceria:
“Conseguimos, de facto, unir esforços para que micro e pequenas empresas avancem na produtividade, na eficiência energética e na inovação.”
Empresas com maior destaque em produtividade
Para celebrar os dois anos do programa, foram premiadas empresas que obtiveram os melhores resultados após consultorias em manufatura enxuta, eficiência energética e gestão. No total, 13 empresas de 10 estados foram reconhecidas.
Manufatura Enxuta – Otimização de Processos Produtivos
• Nordeste — Ondas Kids Moda Praia Infantil (PE): +81,45% produtividade
• Sul — Alecrim & Oliva Gastronomia Funcional (SC): +100%
• Sudeste — Magtek Produtos Magnéticos (SP): +65,83%
• Centro-Oeste — Gyn Foods (GO): +56%
• Norte — Amapuera Casa e Construção (AP): +21%
Eficiência Energética
• Nordeste — Padaria Massa Pura (PE): –59,19% consumo energético
• Sul — Wogar Metalúrgica (RS): –52,39%
• Sudeste — Poliforma Industrial (MG): –41,89%
• Centro-Oeste — Explosão Alimentos (GO): –11,7%
Diagnóstico e Estratégia de Gestão
• Centro-Oeste — JOTAGE (MT): +130% faturação
• Sudeste — IT Label (SP): +35% produtividade
• Nordeste — Misslight Alimentação Saudável (RN): +40,23% produtividade; +26% faturação
• Sul — M Techne (PR): +276% produtividade; +89% faturação.
Manufatura enxuta: desafios e oportunidades
Segundo a CNI, a manufatura enxuta consiste num sistema de gestão que reduz desperdícios e aumenta a qualidade. Contudo, mais de metade das empresas da indústria da construção utiliza pouco ou não utiliza essas técnicas.
Os principais entraves identificados foram:
• alto custo das consultorias;
• falta de conhecimento técnico.
Programas como o Brasil Mais Produtivo, que oferecem consultorias financiadas, tornam-se essenciais para aumentar a competitividade e modernizar o parque industrial brasileiro.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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