Brasil: Nova decisão de Trump faz volume de exportações isentas de sobretaxa superar exportações sujeitas à tarifa de 50% - Antena Web Notícias


2025-12-06 12:00 por Marquezan Araújo Agência do Rádio – Brasil

O governo dos Estados Unidos removeu a tarifa de 40% imposta a 238 produtos agrícolas listados, dos quais 85 foram exportados pelo Brasil em 2024. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão representa um avanço importante na renovação da agenda bilateral entre as duas nações. De acordo com o estudo divulgado pela entidade, nesta sexta-feira (21), a medida faz com que 37,1% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano (US$ 15,7 mil milhões) fiquem livres de taxas adicionais. Pelo que destaca o levantamento, pela primeira vez desde agosto, o volume exportado isento das sobretaxas ficou acima do submetido à tarifa cheia de 50%, que atinge 32,7% das exportações. Os cálculos levam em conta dados de 2024, com base em estatísticas da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos. O superintendente de Relações Internacionais da CNI, Frederico Lamego, explica que, nessa nova determinação, 231 produtos exportados pelo Brasil passam a ter alíquota zero. Segundo ele, a publicação feita pelos Estados Unidos teve como motivação dois principais aspectos. “O primeiro é a pressão inflacionária nos Estados Unidos, e o segundo é a primeira ordem executiva que cita nominalmente o processo de negociações em curso entre os Estados Unidos e o Brasil. Ou seja, isso já é um ato de boa vontade do governo americano no sentido de que avancem as negociações entre Brasil e Estados Unidos o quanto antes”, afirma Lamego. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, essa movimentação também condiz com o papel do Brasil como parceiro comercial do país norte-americano. “Vemos com grande otimismo a ampliação das exceções e acreditamos que a medida restaura parte do papel que o Brasil sempre teve como um dos grandes fornecedores do mercado americano”, destaca. Ainda segundo Alban, o sector privado tem actuado de forma consistente para contribuir com a evolução das negociações envolvendo o tarifaço. “A complementaridade das economias é real e agora precisamos evoluir nos termos para a entrada de bens da indústria, para a qual os EUA são nosso principal mercado, como para o setor de máquinas e equipamentos, por exemplo”, pontua o presidente. Mesmo com a mudança, 62,9% das vendas brasileiras àquele país continuam sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, considerando tanto as medidas horizontais quanto as setoriais, como as aplicadas para aço e alumínio.

Como fica a situação das exportações brasileiras aos EUA:

• Isentos de sobretaxa: 37,1% das exportações (US$ 15,7 mil milhões); • Total de exportações sujeitas a algum tipo de tarifa: 62,9%; • Tarifa recíproca de 10%: 7,0% das exportações (US$ 2,9 mil milhões); • Tarifa adicional de 40%: 3,8% das exportações (US$ 1,6 mil milhões); • Tarifa combinada de 50% (10% + 40% específica ao Brasil): 32,7% das exportações (US$ 13,8 mil milhões); • Tarifa setorial de 50% (Seção 232): 11,9% das exportações (US$ 5 mil milhões); • Isenção da tarifa de 40% condicionada à destinação para aviação civil: 7,5% das exportações (US$ 3,2 mil milhões). Entre os produtos incluídos na lista de itens isentos da sobretaxa de 40%, aplicada ao Brasil desde agosto, estão a carne bovina, café e cacau — insumos comuns na cesta de consumo da população dos Estados Unidos. Na avaliação da CNI, essa nova medida faz com que os produtos brasileiros voltem a ficar competitivos no mercado, já que a remoção das tarifas recíprocas, de 10%, na última semana, havia deixado os itens nacionais em “condições menos vantajosas”.

Governo reagiu com otimismo

Após o anúncio de Donald Trump acerca da remoção da tarifa de 40% imposta a centenas de produtos agrícolas nacionais, o governo brasileiro informou, na quinta-feira (20), por meio de nota, que recebeu a notícia com “satisfação”. Na publicação, o Executivo afirma que manterá o diálogo com vista a resolver questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas. “O Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, diz a nota. Além disso, na própria quinta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em vídeo postado nas redes sociais, que essa suspensão anunciada por Trump foi um sinal importante. "Não é tudo o que eu quero, não é tudo que o Brasil precisa, mas é uma coisa importante. O presidente Trump acaba de anunciar que vai começar a reduzir vários produtos brasileiros que foram taxados em 40%. Isso é um resultado muito importante", afirma Lula.

Produtos contemplados

No fim de julho, o presidente dos Estados Unidos impôs uma tarifa adicional de 40% aos produtos do Brasil. Esse acréscimo foi somado à tarifa recíproca de 10%, totalizando 50%. No entanto, o decreto apresentou uma lista com quase 700 excepções, como o sumo de laranja e produtos de aviação. Na última semana, Donald Trump assinou uma ordem executiva que retirava a tarifa recíproca de 10% sobre a importação de produtos como café, banana, tomate e carne bovina. Na ocasião, o governo norte-americano disse que manteve a tarifa adicional de 40% para o Brasil. Essa taxa, porém, caiu para diversos produtos na quinta-feira (20). Com isso, itens como carne e café agora estão com a taxação zerada.

Principais sectores beneficiados pelo “alívio” tarifário

• Café O café brasileiro foi um dos produtos mais afectados pelas tarifas, principalmente por ter ficado fora da primeira lista de excepções, divulgada a 31 de julho. Segundo o Cecafé, os EUA foram o principal importador dos cafés do Brasil nos 10 primeiros meses de 2025, com 4,711 milhões de sacas — queda de 28,1% em relação ao mesmo período de 2024. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, afirma que havia o risco de perder mais 30% do mercado, caso as tarifas continuassem. • Carne Outro produto relevante — as exportações de carne bovina — também foi contemplado. Mesmo com as tarifas, o sector registou receita de US$ 1,897 mil milhões em outubro (+37,4%) e movimentação de 360,28 mil toneladas (+12,8%). • Frutas e outros produtos A lista inclui goiaba, abacate, banana, manga, cacau, açaí, bem como nozes, água de coco, raízes e tubérculos.

Missão a Washington

Em setembro, a CNI liderou missão empresarial a Washington para dialogar com autoridades e reverter o tarifaço. A comitiva contou com 130 empresários e entidades, além de reuniões no Capitólio e audiência na US International Trade Commission. Estudos da CNI alertam que as tarifas poderiam gerar impacto negativo de até R$ 20 mil milhões no PIB e perda de 30 mil empregos.

notas finais

Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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