Hong Kong iniciou esta sexta-feira três dias de luto oficial pelo devastador incêndio que destruiu parte do complexo residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte da cidade, e que provocou pelo menos 128 mortos e cerca de 200 desaparecidos.
Às 08:00 locais (00:00 em Lisboa), o chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, presidiu a uma cerimónia oficial, observando-se três minutos de silêncio no exterior da sede do Governo. As bandeiras da China e da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) foram colocadas a meia haste e permanecerão assim até segunda-feira.
Durante a manhã, dezenas de famílias com crianças prestaram homenagem às vítimas na praça Golden Bauhinia, em Wan Chai. O Departamento de Assuntos Internos instalou áreas de condolências nos 18 distritos, disponibilizando livros de assinaturas para a população.
O Governo suspendeu ou adiou todas as festividades financiadas com fundos públicos, e funcionários superiores não irão participar em eventos não essenciais durante o período de luto.
O rei Carlos III enviou uma mensagem ao território, afirmando que ele e Camila estão “profundamente tristes” com a tragédia, elogiando “a extraordinária coragem dos serviços de emergência” e “o espírito determinado” da comunidade.
Feridos e situação hospitalar
Segundo o balanço atualizado, 83 feridos receberam tratamento em hospitais públicos:
• 11 em estado crítico,
• 21 em estado grave,
• 9 estáveis,
• 38 já tiveram alta, mais uma do que na noite de sexta-feira.
Quatro das 128 vítimas mortais morreram já no hospital.
Origem do incêndio e falhas de segurança graves
O incêndio começou às 15:00 de quarta-feira (07:00 em Lisboa) no bloco Wang Cheong House, alastrando a sete dos oito edifícios do complexo.
As investigações preliminares apontam para um foco inicial nos andaimes dos pisos inferiores, propagando-se rapidamente devido a materiais altamente inflamáveis:
• Placas de poliestireno expandido usadas para vedar aberturas,
• Lonas exteriores não conformes com normas anti-incêndio.
Estes materiais facilitaram a entrada das chamas nos apartamentos através dos corredores.
O responsável dos bombeiros, Andy Yeung, revelou ainda que os sistemas de alarme dos oito blocos estavam avariados. Garantiu que serão tomadas medidas contra os empreiteiros.
Detenções e investigação criminal
A polícia deteve três gestores da Prestige Construction and Engineering Co, incluindo dois diretores, por homicídio por negligência. As autoridades anticorrupção detiveram oito pessoas no total, no âmbito das obras de renovação do complexo.
Solidariedade em massa e apoio financeiro
Desde a noite de quarta-feira, milhares de cidadãos, vizinhos, sindicatos, igrejas e voluntários têm-se mobilizado espontaneamente, angariando milhões de dólares de Hong Kong e distribuindo água, alimentos, roupa e abrigo temporário.
O Governo anunciou inicialmente um fundo de 300 milhões de dólares de Hong Kong (33,4 milhões de euros) para apoiar as vítimas. Esse valor já subiu para 800 milhões de dólares de Hong Kong (88,6 milhões de euros) graças a contribuições da sociedade civil e de entidades privadas.
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