Os líderes do G20, reunidos em Joanesburgo, defenderam esta sexta-feira um esforço global para alcançar uma paz “justa, abrangente e duradoura” em vários conflitos ativos, incluindo a Ucrânia, o Sudão, a República Democrática do Congo e os territórios palestinianos ocupados. A posição surge numa declaração conjunta tornada pública pelo Governo sul-africano.
“Guiados pelos propósitos e princípios da Carta da ONU na sua totalidade, trabalharemos por uma paz justa, abrangente e duradoura no Sudão, na República Democrática do Congo, nos territórios palestinianos ocupados e na Ucrânia, assim como para colocar fim a outros conflitos e guerras em todo o mundo”, lê-se no documento.
A referência à Ucrânia é curta — a única em 30 páginas — apesar de o plano de paz dos Estados Unidos ter marcado a agenda da cimeira e motivado intensas consultas entre líderes europeus para delinear uma contraproposta.
Minerais estratégicos na mira do G20
Na mesma declaração, os líderes comprometeram-se ainda a reforçar a segurança do fornecimento de minerais estratégicos, essenciais para a transição energética e para a indústria eletrónica, sobretudo num contexto de crescente instabilidade geopolítica.
“Procuramos garantir que a cadeia de valor dos minerais estratégicos possa resistir melhor a interrupções, sejam elas decorrentes de tensões geopolíticas, medidas comerciais unilaterais inconsistentes com as regras da OMC, pandemias ou desastres naturais”, indica o documento.
O tema ganhou peso devido às restrições impostas pela China à exportação de terras raras, que expuseram a dependência global destes recursos — muitos deles abundantes em países africanos.
Declaração adotada por unanimidade
Apesar da ausência dos Estados Unidos nas discussões de sexta-feira, a declaração final foi adotada por unanimidade.
Vincent Magwenya, porta-voz do Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, afirmou que o consenso reflete “o compromisso que os membros do G20 têm com o multilateralismo como princípio para a colaboração e a cooperação”.
A decisão de aprovar o documento logo no início dos trabalhos foi tomada após várias conversações bilaterais.
A cimeira, que decorre até domingo, reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes do mundo. O G20 é composto por 19 países e duas organizações regionais — União Europeia e União Africana — representando mais de 80% da economia global.
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