Quatro pacientes na Dinamarca foram indemnizados por terem desenvolvido graves complicações oculares após o tratamento com medicamentos à base de semaglutida, usados para obesidade e diabetes tipo 2, como o Ozempic e o Wegovy.
A agência dinamarquesa de compensação a doentes confirmou a decisão, que recria o debate sobre os possíveis efeitos adversos destes fármacos. Os pacientes foram afetados por uma condição designada como Neuropatia Ótica Isquémica Anterior Não Arterítica (Noian), que pode levar a danos permanentes e incuráveis na visão.
Detalhes das Complicações e Medicamentos Envolvidos
A Noian é uma doença séria que causa a perda súbita e indolor da visão devido à diminuição do fluxo sanguíneo para o nervo ótico. A sua ocorrência após o uso de semaglutida (presente no Ozempic e Wegovy, ambos da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk) é considerada rara, mas tem sido investigada por instituições como a Universidade de Harvard.
Apesar dos casos de compensação, que exigem a comprovação de que o medicamento foi "extremamente provável" responsável pela doença, o fabricante e as autoridades de saúde dinamarquesas reiteram que o "perfil benefício-risco" da semaglutida "continua favorável" para a maioria dos pacientes.
Novos Desenvolvimentos e Alertas
Estes casos são os primeiros a serem compensados, e a agência reconheceu a complexidade da avaliação, uma vez que se trata de novos medicamentos e os pacientes já poderiam pertencer ao grupo de risco para desenvolver a Noian.
Em Portugal, e a nível internacional, as autoridades regulamentares têm vindo a atualizar as bulas dos medicamentos contendo semaglutida para incluir a NOIA-NA como uma reação adversa muito rara. Os especialistas da área continuam a aconselhar os doentes sob este tratamento a estarem vigilantes a qualquer alteração na visão e a reportá-la de imediato ao seu médico assistente.
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