General francês alerta para “sacrifícios” na defesa contra a Rússia e gera polémica política - Antena Web Notícias
2025-11-22 20:29 por Rita Saraiva
Num discurso que incendiou o debate público em França, o chefe do Estado-Maior da Defesa, General Fabien Mandon, afirmou que o país deve preparar-se para enfrentar a Rússia, incluindo “aceitar a perda dos nossos filhos” para proteger a nação. As declarações, feitas perante milhares de participantes no Congresso de Prefeitos de França, provocaram indignação tanto na esquerda como na direita extremas.
“O país precisa de restaurar a força de espírito para aceitar o sofrimento a fim de proteger quem somos”, declarou Mandon, acrescentando que França deve estar pronta para “aceitar a perda dos nossos filhos”. A intervenção foi amplamente debatida nos canais televisivos e gerou críticas por ser considerada alarmista e belicista.
Segundo o general, “Moscovo está convencida de que os europeus são fracos. E, no entanto, somos fundamentalmente mais fortes do que a Rússia”. Apesar de garantir que França dispõe dos meios para dissuadir Moscovo, Mandon advertiu que falta ao país “a força para aceitar o sofrimento na defesa da nação”.
“Se não estivermos preparados para aceitar a perda dos nossos filhos ou sacrifícios económicos, estaremos em risco”, frisou. Mandon apelou aos autarcas para transmitirem esta mensagem, defendendo que França deve estar “pronta, dentro de três ou quatro anos, para demonstrar a nossa força à Rússia e obrigá-la a abandonar as suas ambições”.
O general salientou que França tem uma responsabilidade maior dentro da Europa, por possuir “um Exército de referência”, e revelou o objetivo de duplicar o número de reservistas para 80 mil, além dos 200 mil militares no ativo.
O discurso coincidiu com a publicação de um “guia de sobrevivência” elaborado pelo Governo francês para preparar a população para crises, incluindo conflitos armados. O documento recomenda que cada cidadão tenha um kit básico de três dias, com lanterna, rádio a pilhas, documentos essenciais, roupa quente, água e cobertor.
A ministra da Defesa, Catherine Vautrin, defendeu o general, afirmando que Mandon “tem todo o direito de falar das ameaças” e que as suas palavras foram “retiradas do contexto para fins políticos”. Vautrin sublinhou que a linguagem usada reflete a realidade de um líder militar “consciente de que jovens soldados arriscam a vida todos os dias pela Nação”.
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