A 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30) foi oficialmente prolongada, decorrendo um dia extra este sábado, face ao profundo impasse diplomático que opõe a União Europeia (UE) a um bloco de países árabes produtores de petróleo e gás, liderado pela Arábia Saudita.
O cerne da discórdia é a inclusão de um compromisso claro para o abandono progressivo ("phase-out" ou "mapa do caminho") dos combustíveis fósseis no texto final da Cimeira.
A União Europeia exige a inclusão de um roteiro explícito para a eliminação ou, pelo menos, uma significativa redução dos combustíveis fósseis. Bruxelas e outros países industrializados consideram o rascunho atual "insuficiente" e uma "traição" ao Acordo de Paris, ameaçando não dar o seu aval, o que bloquearia o consenso necessário.
Por oposição, os países Árabes/OPEP+: Rejeitam veementemente qualquer menção direta ao fim do petróleo e gás, argumentando que isso comprometeria o seu desenvolvimento económico. Este grupo, que inclui também a Rússia, pressionou pela exclusão da expressão "phase-out" do último rascunho.
Esforço Final e Críticas da Ciência
A Presidência brasileira da COP30 intensificou os esforços, convocando grupos de negociação mais restritos para encontrar uma "linguagem alternativa" que evite o fracasso da conferência. O Presidente Lula da Silva tem defendido um "mapa do caminho" de transição energética gradual.
Paralelamente, a comunidade científica e grupos ambientalistas classificaram o rascunho, sem menção aos fósseis, como um retrocesso e sem a ambição necessária para manter o aquecimento global limitado a 1,5°C. A falta de consenso, que se arrasta para este sábado, realça as dificuldades em alinhar os interesses económicos com as metas climáticas urgentes.
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