O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou esta terça-feira uma resolução apresentada pelos Estados Unidos que endossa o plano de 20 pontos do presidente norte-americano, Donald Trump, para Gaza. A resolução recebeu 13 votos a favor, nenhum contra, e contou com a abstenção da Rússia e da China. Trump classificou o resultado como “uma das aprovações mais significativas da história das Nações Unidas”.
A proposta inclui a criação de uma Força Internacional de Estabilização para atuar na Faixa de Gaza, com vários países já disponíveis para contribuir, segundo Washington.
O porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou a aprovação “um passo importante na consolidação do cessar-fogo”.
O Hamas rejeitou de imediato a resolução, alegando que o plano “impõe um mecanismo de tutela internacional à Faixa de Gaza” e que atribuir funções à força internacional, incluindo o desarmamento de grupos armados, a transforma “numa parte do conflito a favor da ocupação”.
Força Internacional e Conselho de Paz com mandato até 2027
De acordo com o texto aprovado, as Forças de Segurança Israelitas trabalharão juntamente com Israel, Egito, uma força policial palestiniana e a nova Força Internacional de Estabilização para garantir segurança nas zonas fronteiriças e assegurar o desarmamento permanente de grupos armados, incluindo o Hamas.
Os membros do Conselho também aprovaram a criação do Conselho de Paz (CP), um órgão de governação transitória responsável por supervisionar um comité tecnocrático palestiniano e coordenar a reconstrução de Gaza. Pelo plano norte-americano, o CP será liderado pelo presidente Donald Trump.
Ambas as estruturas terão mandato até 31 de dezembro de 2027, sujeito a nova deliberação do Conselho de Segurança. O financiamento para a reconstrução de Gaza será gerido através de um fundo fiduciário apoiado pelo Banco Mundial.
“Um primeiro passo frágil” rumo à estabilidade
Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU, afirmou que a fase inicial do plano — envolvendo o cessar-fogo entre Israel e o Hamas e a libertação de reféns — entrou em vigor a 10 de outubro, descrevendo-a como “um primeiro passo frágil, muito frágil”.
Antes da votação, Waltz apelou ao consenso:
“Um voto contra esta resolução é um voto para regressar à guerra (…) O relógio está a correr como uma bomba-relógio”.
Após a aprovação, considerou a decisão “histórica e construtiva”, sublinhando que a medida representa um avanço para “uma Gaza estável e próspera”.
Referência inédita ao caminho para um Estado palestiniano
Ao contrário de versões anteriores, o texto aprovado faz referência a “um caminho credível rumo à autodeterminação e à formação de um Estado palestiniano”, uma exigência comum a vários membros do Conselho e países árabes. Israel continua a opor-se firmemente à criação de um Estado palestiniano.
A Autoridade Palestiniana saudou a aprovação, mas pediu que a resolução seja “implementada com urgência e imediatamente”.
Rússia e China abstiveram-se, mas criticaram a falta de clareza sobre a composição dos mecanismos criados e apontaram que o texto não reafirma explicitamente um compromisso firme com a solução de dois Estados.
Segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, mais de 69.483 palestinianos foram mortos desde o início da ofensiva israelita em 2023.
Trump celebra: “Mais paz no mundo”
Donald Trump reagiu na plataforma Truth Social, escrevendo:
“Parabéns ao mundo pela incrível votação do Conselho de Segurança (…) Este será um dos apoios mais importantes da história das Nações Unidas.”
O presidente agradeceu aos membros do Conselho, incluindo Rússia e China, pelas suas abstenções.
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