Brasil lança programa para impulsionar bioinformática e fortalecer a bioeconomia - Antena Web Notícias


2025-11-17 23:25 por Paula Coutinho Agência do Rádio – Brasil

Ciência, tecnologia e biodiversidade integradas com o objectivo de acelerar a transição do Brasil rumo a uma economia sustentável e duradoura. Esta é a meta do Programa Prioritário de Interesse Nacional em Bioinformática (PPI BioinfoBR), lançado pelo governo brasileiro na última quarta-feira (12), durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) está à frente da iniciativa, desenvolvida em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apresentada no stand da CNI, a proposta visa criar oportunidades para o desenvolvimento de hardware, software, algoritmos, infraestruturas de dados e serviços digitais aplicados à biotecnologia, conectando a política industrial de tecnologia da informação e comunicação (TICs) com a agenda de bioeconomia e soberania tecnológica do país.

O que é bioinformática


A bioinformática é um campo interdisciplinar que une biologia, tecnologia da informação, matemática e estatística para analisar grandes volumes de dados biológicos, como genomas, proteínas e moléculas. Na prática, permite que cientistas utilizem ferramentas digitais para compreender, modelar e aplicar informações sobre a biodiversidade em áreas como saúde, agricultura, cosméticos e biocombustíveis.
"Com a bioinformática, estamos dando mais um passo na direção de uma ciência voltada ao futuro. O setor produtivo brasileiro cada vez mais descobre a necessidade de ter empresas de base tecnológica. E nós precisamos acompanhar o ritmo global das transformações tecnológicas", afirmou a ministra Luciana Santos, do MCTI.
Segundo a ministra, o programa vai aproveitar a experiência brasileira em biodiversidade para desenvolver soluções industriais e científicas.
"Queremos associar tecnologias disruptivas, como softwares, computadores de alto desempenho e inteligência artificial, ao maior patrimônio do nosso país — a nossa biodiversidade", completou.
Para Luciana Santos, a iniciativa simboliza mais que um investimento em tecnologia: é uma aposta no futuro do país. "Ao aplicar a ciência da vida à informática e à biotecnologia, estamos construindo caminhos para uma economia sustentável, inovadora e soberana", concluiu.

Execução e estrutura do programa


O SENAI propôs o modelo e será um dos principais executores, utilizando a experiência da sua rede nacional de Institutos de Inovação para conectar indústrias, universidades e centros de pesquisa. Entre os 28 institutos, 12 actuam directamente em bioeconomia e sete em tecnologias da informação, abrangendo desde o processamento avançado de dados biológicos até ao desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.
De acordo com o director-geral do SENAI, Gustavo Leal, o programa representa um avanço estratégico.
"O programa de bioinformática é extremamente relevante para o país. Ele une conhecimentos em computação de alto desempenho, inteligência artificial e computação quântica ao desenvolvimento de moléculas da nossa biodiversidade. Isso terá impacto em diversos sectores industriais, na saúde e nos cosméticos. É uma ação disruptiva e essencial para fortalecer a indústria brasileira."

Impactos esperados


O PPI BioinfoBR pretende implementar uma plataforma nacional de bioinformática interoperável e segura, além de promover a formação e retenção de talentos. O objectivo é aproximar empresas de ponta e centros de pesquisa, fomentando a inovação aberta e incentivando o investimento em projectos via Lei da Informática (Lei nº 8.248/1991).
Empresas habilitadas poderão destinar parte dos recursos obrigatórios de PD&I ao programa, ganhando acesso a tecnologias avançadas e parcerias estratégicas. Espera-se que o PPI impulsione soluções em agroindústria, energia, saúde e biotecnologia, além de reforçar a independência tecnológica.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, o lançamento na COP30 foi oportuno.
"Além de descortinar as realidades regionais, descortina-se também uma floresta gigante de novas oportunidades [...] criando um ambiente de integração que tanto defendemos."

Bioinformática vai alavancar a bioeconomia


Segundo a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), um investimento de US$ 257 mil milhões pode gerar retorno anual de US$ 593 mil milhões na bioeconomia brasileira. Até 2050, prevê-se:
• redução de áreas degradadas de 225 para 108 milhões de hectares,
• expansão de proteínas alternativas (0 → 9,8 milhões t),
• aumento de bioquímicos (0,2 → 15 milhões t),
• crescimento dos biocombustíveis (81 Mm³ → 570 Mm³).
Estes avanços podem reduzir significativamente as emissões acumuladas de CO₂, de 41 Gt para 12 Gt entre 2020 e 2050.
Segundo o MCTI, há potencial além das TICs para desenvolvimento de soluções em agroindústria, alimentação, saúde, energia, transformação, biocombustíveis e biotecnologia.

Objectivos do PPI BioinfoBR


• Implantar plataforma nacional interoperável e segura;
• Promover formação e retenção de talentos;
• Fomentar acesso a ferramentas de TICs, incluindo computação quântica;
• Implementar mecanismos de inovação aberta;
• Integrar o PPI BioinfoBR aos demais PPIs;
• Ampliar a cooperação internacional;
• Apoiar empresas e ICTs na criação de soluções de alto impacto.
O programa está em fase final de modelagem, podendo agregar novas demandas industriais e da academia.

notas finais


Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.

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Palavras-chave: Brasil; bioinfor mática; bioeconomia; COP30; MCTI; SENAI; CNI; biodiversidade; inovação tecnológica; TICs; computação avançada; biotecnologia; sustentabilidade; desenvolvimento científico

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