Flotilha com 5.000 pessoas protesta em Belém contra “falsas soluções climáticas” na COP30 - Antena Web Notícias


2025-11-13 10:43 por Rita Saraiva

Cerca de 5.000 pessoas navegaram esta quarta-feira em mais de 150 embarcações pelos rios de Belém, cidade que recebe a COP30, para “denunciar falsas soluções climáticas” e afirmar que “os povos são a resposta”.
A flotilha foi liderada por várias figuras indígenas, incluindo Raoni Metuktire, símbolo da defesa da Amazónia, e representantes dos povos Kayapó, Panará, Borari, Tupinambá, Xipaya, Arapiun, Huni Kuin e Kayabi.
Eva Saldaña, diretora executiva da Greenpeace Espanha e Portugal, classificou a iniciativa como “um movimento indígena sem precedentes”, explicando que percorreram sete milhas com mais de 200 embarcações, juntando-se ao navio “Rainbow Warrior”.
“As respostas aos desafios que enfrentamos estão claramente nas comunidades indígenas, nas comunidades locais, nos povos das florestas, da terra, da água. Eles sabem quais são as soluções para a crise ecológica que enfrentamos”, sublinhou.
A ativista espanhola lembrou que a sociedade civil reclama a “paragem das grandes empresas fósseis e do grande agronegócio”, além da demarcação dos territórios indígenas.
“Vamos continuar lutando juntos (...), pela defesa da Amazónia, pela defesa de todas as florestas do planeta, mas acima de tudo pela justiça climática”, garantiu.
O desfile marcou o início da Cimeira dos Povos, realizada paralelamente à COP, sob o lema: “O clima está esquentando! A crise já chegou. Não vamos esperar por soluções de cima!”.
A flotilha dirigiu-se depois à Vila da Barca, um bairro onde muitos moradores vivem sem saneamento básico, segundo a organização.
Raoni volta a criticar exploração de petróleo
À imprensa, Raoni reforçou a oposição à prospeção de petróleo na foz do Amazonas.
“Eu já conversei com o Presidente Lula para ele não perfurar poço de petróleo”, afirmou.
No dia anterior, o líder indígena participara num ato de denúncia contra a exploração realizada pela Petrobras em zonas oceânicas a cerca de 500 quilómetros da foz. A região é considerada “altamente vulnerável” por ambientalistas e abriga ecossistemas sensíveis, como mangais, recifes de coral e reservas ambientais.
“Se destruírem os nossos rios, matam-nos”, alertou uma líder Karikuna.
Apesar das críticas, a Petrobras iniciou no final de outubro a fase exploratória de um poço a 175 quilómetros da costa, após obter autorização ambiental. A Margem Equatorial, onde decorre a operação, poderá tornar-se o maior ativo petrolífero da empresa.
A exploração ocorre em vésperas da COP30 e tem sido contestada por diversas organizações não-governamentais, que acusam o Governo brasileiro de incoerência entre o combate à desflorestação e a aposta contínua em petróleo. Algumas ONG já apresentaram ações judiciais para tentar suspender a licença

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