A COP30, conferência mundial do clima que decorre em Belém do Pará, viveu momentos de tensão e confronto na terça-feira, quando dezenas de ativistas climáticos, entre eles líderes indígenas e jovens manifestantes, invadiram a área restrita da ONU, conhecida como Zona Azul.
Segundo testemunhos no local, os manifestantes arrancaram uma porta das dobradiças e correram pelo centro de convenções, entoando cânticos e exibindo faixas com mensagens como “As nossas florestas não estão à venda” e “Juntos”.
Os seguranças da ONU reagiram rapidamente, gerando confrontos físicos. De acordo com um porta-voz da ONU para o clima, dois seguranças ficaram feridos e registaram-se pequenos danos materiais.
Após cerca de uma hora, os manifestantes foram retirados pelas autoridades, e os bombeiros formaram um cordão de segurança para bloquear novamente a entrada.
“Não estavam a fazer isto por serem más pessoas. Estão desesperados, tentando proteger as suas terras e o rio Amazonas”, afirmou à AP o ativista Agustin Ocaña, da Global Youth Coalition, que testemunhou o incidente.
Ocaña relatou que houve trocas de agressões e que um dos guardas ficou ferido na cabeça. Segundo ele, o protesto refletiu a frustração de comunidades indígenas com o investimento em obras para a cimeira, enquanto faltam recursos para educação, saúde e proteção florestal.
O negociador climático panamiano Juan Carlos Monterrey-Gómez, que assistiu ao episódio, resumiu a sensação de surpresa:
“Finalmente, algo aconteceu aqui.”
“A crise climática é uma crise de saúde”
Além da invasão, o segundo dia da COP30 também foi marcado por manifestações paralelas, onde ativistas e profissionais de saúde marcharam com o lema “A crise climática é uma crise de saúde”.
Na Amazónia, uma das regiões mais afetadas pelo aquecimento global, as doenças tropicais como a dengue têm-se alastrado rapidamente.
“Vivi décadas em Belém e nunca tive dengue; agora toda a gente apanha... tornou-se uma doença urbana”, relatou à agência Efe a infetologista Lena Peres, de 63 anos.
Outros manifestantes exigiram taxar os bilionários e parar a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, criticando o governo de Lula da Silva:
“Governo Lula, que papelão, destrói o clima com essa perfuração”, gritavam, segundo o jornal Folha de São Paulo.
ONU garante segurança e continuidade das negociações
Em comunicado, a ONU afirmou que as forças de segurança brasileiras e da organização “seguiram todos os protocolos” e que o local foi estabilizado, garantindo que as negociações continuam normalmente.
“O local está totalmente seguro e as negociações da COP continuam”, declarou o porta-voz.
A “Cúpula dos Povos” ganha força
Apesar do incidente, o governo brasileiro mantém a aposta numa COP aberta à sociedade civil, com várias manifestações e eventos paralelos a decorrer sob o lema da “Cúpula dos Povos”.
Estão previstas mobilizações indígenas, marchas da juventude e uma manifestação global no sábado, com a chegada simbólica de uma flotilha de 100 embarcações liderada pelos reconhecidos líderes Raoni Metuktire e Davi Kopenawa Yanomami
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