O segundo dia da 30.ª Cimeira do Clima (COP30), que decorre na cidade brasileira de Belém do Pará, ficou marcado por várias manifestações e apelos à justiça climática, liderados por jovens ativistas de mais de 80 países.
Às portas da Amazónia, a maior floresta tropical do mundo, as novas gerações exigiram que as decisões globais sobre o clima incluam as suas vozes.
“Eles podem até não querer escutar, mas a gente grita bem alto”, afirmou à Lusa Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30, à margem da conferência.
A ativista brasileira de 26 anos destacou que os jovens estão a lutar por uma transição energética justa, a valorização do conhecimento ancestral das comunidades indígenas e quilombolas e a proteção das florestas e dos oceanos.
“Existe uma radicalidade no discurso dos jovens, mas há uma razão clara: se as decisões não forem tomadas agora, somos nós que vamos sofrer”, sublinhou Marcele.
Vozes jovens no centro do debate climático
No Parque dos Igarapés, a poucos quilómetros do centro de Belém, decorre o Acampamento das Juventudes, um espaço paralelo à conferência oficial, criado para permitir a presença de jovens de todo o mundo. O objetivo é fortalecer a participação das juventudes nas decisões sobre o clima, contornando as dificuldades financeiras e logísticas de estar na cidade durante a cimeira.
“A gente tem puxado muito a questão da educação ambiental, da conscientização climática e da participação das juventudes nos espaços de decisão”, explicou a jovem ativista, natural de Realengo, no Rio de Janeiro.
A carioca contou que o seu percurso começou quando percebeu que nas periferias faltavam árvores, sombra e espaços verdes, em contraste com os bairros mais ricos — uma desigualdade que a levou ao ativismo ambiental.
A COP da Amazónia
A COP30, que se prolonga até 21 de novembro, decorre às portas da floresta amazónica, símbolo da urgência climática e do papel vital da natureza na regulação do planeta. Para os jovens ativistas, discutir o futuro climático em território amazónico é um ato de esperança e resistência.
“Não dá para entrar na sala, fechar a porta e dizer: ‘vamos deixar para decidir no próximo ano’. As decisões precisam ser tomadas agora, enquanto humanidade”, defendeu Marcele Oliveira.
A jovem lidera atualmente a Plenária Mundial das Juventudes, que reúne representantes de mais de 80 países, bem como ministros e autoridades brasileiras, num esforço conjunto para traduzir as reivindicações em compromissos concretos.
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