O antigo presidente francês Nicolas Sarkozy foi libertado esta segunda-feira pela justiça de Paris, após 20 dias de detenção, ficando sob controlo judicial, conforme decisão do Tribunal de Recursos de Paris. A medida vem dar razão ao pedido da defesa do ex-chefe de Estado, condenado no caso do financiamento líbio da campanha presidencial de 2007.
Durante a audiência, realizada esta manhã, o Ministério Público apoiou o pedido de libertação, recomendando que Sarkozy aguardasse o julgamento do recurso sob supervisão judicial estrita, com proibição de contacto com os restantes arguidos e testemunhas.
O procurador considerou que “Sarkozy não representa risco de fuga”, relatou a correspondente da RTP em Paris, Rosário Salgueiro.
O ex-presidente compareceu por videoconferência a partir da prisão de Santé, em Paris, e declarou ao tribunal estar disposto a cumprir todas as imposições judiciais.
“Sou francês, senhor. Amo o meu país. Estou a lutar para que a verdade prevaleça. Cumprirei todas as obrigações que me forem impostas, como sempre fiz”, afirmou Sarkozy.
O juiz determinou que o político não pode sair de França nem contactar com outros condenados ou com o atual ministro da Justiça, Gérald Darmanin, cuja recente visita a Sarkozy na prisão gerou polémica e acusações de interferência política no processo.
Caso desrespeite alguma das medidas impostas, o antigo presidente regressará de imediato à prisão de Santé.
Um percurso judicial conturbado
Nicolas Sarkozy, de 70 anos, foi detido a 21 de outubro, após ter sido condenado em setembro por conspiração criminosa por alegadamente ter ajudado conselheiros a obter fundos do falecido líder líbio Muammar Gaddafi para a campanha de 2007.
O tribunal, contudo, absolveu-o das acusações de corrupção e financiamento ilegal de campanha. O ex-presidente sempre negou as acusações, alegando ser vítima de vingança política.
“É difícil. Muito difícil — como deve ser para qualquer detido. Diria até que é exaustivo”, confessou Sarkozy sobre os dias passados em detenção.
O advogado do ex-chefe de Estado afirmou que o próximo passo será preparar o recurso contra a condenação.
Várias batalhas em tribunal
Desde que deixou o Palácio do Eliseu, em 2012, Sarkozy tem enfrentado uma série de batalhas judiciais.
No ano passado, o Supremo Tribunal de França confirmou uma condenação por corrupção e tráfico de influências, impondo-lhe o uso de uma pulseira eletrónica durante um ano — um caso inédito para um antigo presidente francês.
Além disso, uma segunda condenação por financiamento ilegal da campanha de 2012 foi confirmada em tribunal de recurso, com decisão final aguardada ainda este mês. Sarkozy é ainda investigado formalmente por alegada intimidação de testemunhas.
A libertação sob controlo judicial marca uma nova fase neste longo processo, que continua a abalar o panorama político francês.
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