Pais que recusam vacinas em Portugal são mais escolarizados e com maior poder económico - Antena Web Notícias
2025-11-02 20:34 por Rita Saraiva
Um estudo europeu divulgado este sábado traça o retrato dos pais que recusam ou adiam vacinas infantis em Portugal: são altamente escolarizados, pertencem a classes média-alta e alta e têm maior poder económico. Consideram-se “os peritos da saúde dos filhos” e preferem medicinas alternativas à medicina convencional.
A investigação integra o projeto VAX-TRUST, desenvolvido em Portugal, Finlândia, Bélgica, Polónia, República Checa, Itália e Reino Unido, com o objetivo de compreender as causas da hesitação vacinal e melhorar o diálogo entre pais e profissionais de saúde.
Segundo Ana Patrícia Hilário, uma das coordenadoras nacionais do estudo, “o fenómeno da recusa das vacinas está circunscrito a uma classe social mais alta”, descrevendo “uma população muito escolarizada, com ensino superior e capital financeiro elevado”.
“Rejeitam o processo de medicalização da infância e evitam o contacto com a medicina convencional, preferindo medicinas alternativas e complementares, sobretudo nos primeiros anos de vida”, explicou a investigadora.
O estudo indica ainda um “grande afastamento do Serviço Nacional de Saúde”, sendo que estes pais recorrem apenas a serviços públicos em situações de urgência. Escolhem muitas vezes médicos e terapeutas alinhados com as suas crenças pessoais.
As opções refletem-se também noutros aspetos da parentalidade: amamentação prolongada, adiamento da entrada na escola, ensino doméstico e modelos educativos alternativos são preferências comuns.
Os investigadores alertam que, embora minoritária, a hesitação vacinal pode comprometer a imunidade populacional, constituindo “um desafio complexo de saúde pública”.
Ana Patrícia Hilário defende, por isso, que é essencial melhorar a comunicação entre o SNS e os pais, reforçando a confiança nas instituições e na vacinação.
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Palavras-chave: Saúde; vacinação; hesitação vacinal; pais portugueses; VAX-TRUST; medicina alternativa; SNS; saúde pública; Ana Patrícia Hilário; estudo europeu; imunidade populacional.
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