O número de consumidores brasileiros que desistiram de comprar em sites internacionais devido ao Imposto de Importação aumentou de 13% para 38%.
A chamada “taxa das blusinhas” também provocou um crescimento de 22% para 32% no número de pessoas que passaram a procurar produtos semelhantes com entrega nacional.
Os dados são da pesquisa Retratos do Brasil, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizada pela Nexus, que comparou o comportamento dos consumidores entre maio de 2024 e outubro de 2025.
Impacto positivo para a indústria nacional
O superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, considera que o aumento da tributação sobre importações de até 50 dólares é positivo para a indústria brasileira, pois ajuda a equilibrar a competitividade entre empresas nacionais e estrangeiras.
“O objetivo da taxação é trazer mais igualdade nos preços e reduzir a vantagem de produtos importados. O resultado foi positivo para a indústria brasileira, ao reforçar a competitividade e o consumo interno”, avaliou.
Segundo Guerra, a medida também ajuda a combater falsificações e produtos de baixa qualidade, comuns em plataformas internacionais.
“A indústria brasileira concorre muitas vezes com produtos falsificados, o que incentiva o mercado ilegal. Essa correção é necessária para valorizar o que é produzido no Brasil”, destacou.
Mudança no comportamento de compra
A pesquisa mostra que a proporção de consumidores que procuraram produtos similares em lojas físicas passou de 13% para 14%, enquanto os que buscaram alternativas em outros sites internacionais subiram de 6% para 11%.
A desistência definitiva da compra caiu de 58% para 42%, indicando que muitos consumidores optaram por soluções nacionais.
O advogado tributarista Renato Gomes explicou que, em geral, produtos exportados não pagam impostos na origem, o que cria concorrência desleal com empresas nacionais.
“Não é justo que um produto chegue ao Brasil sem pagar imposto na origem nem aqui. Isso enfraquece a indústria local, que é quem gera empregos e riqueza no país”, afirmou.
ICMS também desestimula importações
O estudo indica ainda que 36% dos consumidores deixaram de importar produtos devido ao custo do ICMS — um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2024.
Entre os mais afetados estão pessoas com ensino superior (48%), jovens entre 16 e 40 anos (45%) e moradores do Nordeste (41%).
Desses, 34% procuraram produtos similares nacionais, enquanto 41% desistiram definitivamente da compra.
Frete caro e longos prazos de entrega desmotivam compras
O frete internacional e o tempo de entrega também pesaram nas decisões dos consumidores.
Segundo o levantamento, 45% desistiram de uma compra ao ver o valor do envio, e 32% desistiram devido ao prazo de entrega elevado — índices mais altos entre pessoas com ensino superior e maior rendimento.
Perfil das compras internacionais
A maioria das compras (75%) foi feita para uso pessoal — proporção que sobe para 90% entre pessoas com mais de 60 anos e 84% nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Apenas 10% compraram itens para uso profissional e 2% para revenda.
A pesquisa
O levantamento ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as unidades da federação, entre 10 e 15 de outubro de 2025.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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