Em 2050, o racionamento de água deverá tornar-se uma realidade mais comum no Brasil, com períodos médios de até 12 dias de escassez por ano. O alerta consta do estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, publicado pelo Instituto Trata Brasil.
O levantamento projeta diferentes cenários de demanda hídrica nas habitações brasileiras até 2050 e mostra que a situação será ainda mais grave nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, onde a falta de água poderá ultrapassar 30 dias anuais.
Segundo a presidente executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, o cenário é preocupante e requer ação imediata.
“O estudo traz dados e informações que mostram um cenário bastante desafiador. Se nada for feito hoje, poderemos sofrer com o desabastecimento de água — tanto nas atividades diárias das famílias como no crescimento económico das cidades”, alertou.
Consumo em alta e oferta em queda
A pesquisa indica que o consumo de água deve aumentar cerca de 25% até 2050, passando de 175 para 219 litros por habitante por dia.
Esse crescimento é impulsionado por fatores combinados: a expansão demográfica, o crescimento económico e o aumento médio de 1°C na temperatura do planeta até meados do século.
“O aumento do consumo é consequência direta da expansão da oferta, do crescimento económico e das alterações climáticas, que elevam a temperatura e, consequentemente, a procura por água”, explicou Luana Pretto.
Causas do desabastecimento
As mudanças climáticas e as perdas na distribuição de água são as principais causas apontadas para o desabastecimento previsto.
O estudo estima uma redução anual de 3,4% na oferta de água dos rios, devido à diminuição dos dias de chuva o que poderá resultar em cerca de 12 dias de racionamento por ano.
As temperaturas máximas devem aumentar 1°C e as mínimas, 0,47°C, agravando ainda mais o cenário de consumo.
“O aumento da temperatura gera secas, ondas de calor e tempestades mais intensas, o que eleva o consumo e pressiona os recursos hídricos”, acrescentou Pretto.
Consequências para a população
O estudo alerta que as regiões Nordeste e Centro-Oeste, onde a pluviosidade já é naturalmente baixa, deverão enfrentar os impactos mais severos.
A falta de água poderá afetar diretamente a saúde pública, a higiene, a alimentação e a qualidade de vida da população.
“A escassez de água tem consequências diretas para o quotidiano das pessoas: compromete a higiene, o uso do banheiro, o preparo dos alimentos e outras atividades básicas”, sublinhou a presidente do Trata Brasil.
Caminhos para reverter o cenário
Entre 2023 e 2050, o consumo per capita de água deverá crescer 0,8% ao ano, enquanto o número de dias chuvosos tende a cair — o que exigirá planeamento conjunto entre governos, empresas e sociedade.
Luana Pretto defende medidas urgentes, como:
•
Redução das perdas de água nos sistemas de distribuição;
• Reutilização da água para uso industrial e limpeza urbana;
• Maior eficiência no consumo, com apoio tecnológico;
• Integração entre políticas públicas e gestão local dos recursos hídricos.
“Se não houver planeamento integrado, o país precisará captar 60% mais água até 2050 — quando os rios já terão menos volume disponível devido aos eventos climáticos extremos”, advertiu.
“São ações complexas, mas indispensáveis para garantir um cenário mais optimista para o futuro”, concluiu.
notas finais
Este artigo, da autoria da Agência do Rádio, no Brasil, foi adaptado à escrita de Portugal.
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