Os pedidos de ajuda do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ganharam novo fôlego esta terça-feira. O líder ucraniano afirmou que Kiev precisa de apoio financeiro estável da União Europeia por “mais dois ou três anos” para resistir à invasão russa e manter o país funcional durante a guerra.
“Reforcei este ponto a todos os líderes europeus. Disse-lhes que não vamos lutar durante décadas, mas que devem mostrar que, por um certo período de tempo, serão capazes de fornecer apoio financeiro estável à Ucrânia. E é por isso que têm esta proposta em mente — dois ou três anos”, afirmou Zelensky em conferência de imprensa.
O presidente sublinhou que mesmo após o fim do conflito, os fundos continuarão a ser necessários para a reconstrução do país.
“A guerra pode acabar antes, mas o dinheiro será necessário para a reconstrução”, acrescentou.
As declarações surgem após a proposta da Comissão Europeia para usar gradualmente os ativos russos congelados no financiamento do esforço de guerra ucraniano, um “empréstimo de reparação” que poderá ascender a 140 mil milhões de euros. No entanto, as discussões no Conselho Europeu continuam bloqueadas devido às reservas da Bélgica, que detém a maior parte dos bens russos congelados e exige garantias financeiras e legais antes de avançar.
Zelensky classificou o desbloqueio desses ativos como “crucial” para a sobrevivência económica da Ucrânia e mostrou-se confiante numa decisão até ao final do ano.
Trump, Xi e o equilíbrio global
Na mesma intervenção, Zelensky expressou esperança de que Donald Trump pressione Xi Jinping durante a sua viagem oficial à Ásia. O objetivo: reduzir o apoio económico da China à Rússia, especialmente através da compra de hidrocarbonetos.
“Este pode ser um dos seus gestos fortes, especialmente se, após essas sanções decisivas, a China estiver pronta para reduzir as suas importações da Rússia”, declarou Zelensky, referindo-se às sanções impostas por Washington a duas grandes empresas petrolíferas russas.
Trump e Xi deverão reunir-se na quinta-feira, na Coreia do Sul, à margem da cimeira da APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico).
Situação no terreno e crimes de guerra
Zelensky afirmou ainda que Pokrovsk, no leste da Ucrânia, é atualmente o principal alvo das forças russas, onde cerca de 200 soldados de Moscovo estão concentrados.
Entretanto, um relatório das Nações Unidas, divulgado na segunda-feira, concluiu que a Rússia cometeu crimes contra a humanidade ao forçar civis ucranianos a fugir através de ataques com drones e deportações ilegais em territórios ocupados, especialmente na região de Zaporizhzhia.
“As autoridades russas coordenaram sistematicamente ações para expulsar civis ucranianos da sua residência”, refere o documento da Comissão de Inquérito Internacional Independente da ONU.
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