O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou este sábado o sucesso do teste final do míssil de cruzeiro Burevestnik, movido a energia nuclear e com um alcance estimado de 14 mil quilómetros, numa clara mensagem aos Estados Unidos e ao seu escudo antimísseis.
“Os testes decisivos estão agora concluídos”, declarou Putin num vídeo divulgado pelo Kremlin, acrescentando que o exército russo deve “preparar as infraestruturas para colocar esta arma ao serviço das forças armadas”.
De acordo com o chefe do Estado-Maior russo, Valéri Guérasimov, o míssil — cujo nome significa “pássaro da tempestade” em russo — permaneceu no ar durante cerca de 15 horas, percorrendo 14 mil quilómetros.
“As características técnicas do Burevestnik permitem utilizá-lo com precisão garantida contra locais altamente protegidos situados a qualquer distância”, sublinhou Guérasimov, acrescentando que o míssil executou “todas as manobras verticais e horizontais” necessárias para driblar sistemas antiaéreos e antimísseis.
Putin classificou o Burevestnik 9M730 como “uma peça de armamento única que mais ninguém tem no mundo”, recordando que especialistas internacionais “previram que tal projeto era irrealizável”. A NATO designa o míssil como SSC-X-9 Skyfall.
O programa foi iniciado após os Estados Unidos abandonarem o tratado antimísseis de 1972, em 2001, o que levou Moscovo a desenvolver um armamento “capaz de ultrapassar qualquer barreira defensiva”.
Três mortos e 27 feridos em ataque russo a Kiev
Horas depois do anúncio, a Rússia lançou um ataque com drones sobre Kiev, que provocou três mortos e 27 feridos, incluindo seis crianças, segundo o presidente da câmara da capital, Vitali Klitschko.
“De acordo com as primeiras informações, três pessoas morreram e 27 ficaram feridas”, escreveu Klitschko no Telegram, informando que vários edifícios residenciais foram atingidos nos bairros de Desnianskyi e Obolonskyi.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu pedindo novas sanções internacionais contra Moscovo e seus aliados.
“Cada ataque russo é uma tentativa de infligir o máximo de danos possível à vida quotidiana”, afirmou Zelensky. “São necessárias sanções adicionais contra a Rússia e todos os que a apoiam.”
Segundo as forças armadas ucranianas, a Rússia lançou 101 drones durante a noite, dos quais 90 foram abatidos, elevando para 1.200 drones, 1.360 bombas guiadas e mais de 50 mísseis os ataques registados na última semana.
Trump afasta novo encontro com Putin
Na frente diplomática, o presidente norte-americano Donald Trump descartou a hipótese de uma nova reunião com Putin.
“Não vou perder o meu tempo. Sempre tive uma excelente relação com Vladimir Putin, mas isto foi muito dececionante”, disse Trump, referindo-se à falta de avanços no conflito.
Entretanto, o enviado russo Kirill Dmitriev encontra-se nos Estados Unidos desde sexta-feira, para reuniões com representantes da Administração Trump, incluindo o empresário Steve Witkoff, na Florida, segundo fontes citadas pela imprensa norte-americana.
O anúncio do novo míssil e o ataque em Kiev reforçam a escalada de tensão entre Moscovo, Washington e Kiev, num cenário que combina avanços tecnológicos militares e intensificação dos combates na Ucrânia.
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