Estimados leitores. Antes de qualquer outra coisa, preciso dizer que: o facto de ser o fundador, e o atual proprietário e presidente do Conselho de Administração da Antena Web, não me retira, por consequência, a legitimidade para opinar sobre o mundo que me rodeia. Por isso deixo claro que qualquer opinião expressada aqui, não envolve mais nada que o meu ponto de vista, meu, enquanto cidadão.
Hoje, no regresso de Nós e o Mundo, escolhi falar sobre a atual situação de Israel.
Parece que ontem Donald Trump disse que se Israel atacar a Cisjordânia lhe corta o apoio.
Há uma coisa que não compreendo, e nunca vou compreender: há fome em Gaza. Ninguém duvida disso. No entanto Israel nega, os Estados Unidos negam, e todo o mundo parece acreditar, ou fingir que acredita. Como se este não fosse um problema de extrema gravidade.
Israel continua a participar na Eurovisão (já lá vamos), ao contrário da Rússia que invadiu a Ucrânia. Israel não tem pacotes de sansões por parte da União Europeia, a Rússia já tem 19. Da Rússia reduz-se a importação de gás, a Israel mantém-se a exportação de armas.
A China lança um agente de IA, proíbe-se ou trava-se ao máximo a venda de chips da NVidia, a principal empresa que exporta destes componentes essenciais para os agentes de IA para a China. Para Israel tecnologia de ponta continua a ser exportada livremente. E essa, nem Espanha restringiu.
A conclusão a que chego é que para a União Europeia e para os Estados Unidos da América, matar pessoas como faz a Rússia, é um crime, matar palestinianos, como faz Israel, é legal. Na Ucrânia praticam-se crimes de guerra porque se atacam infraestruturas energéticas e se bombardeou uma escola ou se atingiu um hospital, onde várias vezes não há vítimas mortais, ou às vezes sim: 7, 3, numa população global de 45 milhões. Em Gaza morriam aos 60/70 por dia, numa população original de 5 milhões, só há um hospital operacional e à base de geradores, mais de metade dos edifícios foi totalmente destruída, há um bloqueio da totalidade das fronteiras por parte de Israel, assumido pelo próprio governo, e nem fome se considera que exista.
Eu acho até que, aos olhos dos EUA e da UE, em Gaza há 3 tipos de animais bípedes: os humanos, que são os militares e os engravatados de vários países, ah, e jornalistas, há os hamazianos, que são à volta de 15 ou 20 milhões de seres vivos pertencentes ao Hamas, e depois há outros que não têm nome científico ainda, porque também, se é para acabar com eles, não vale a pena dar nome, não é? Mas são conhecidos mundialmente como "palestinianos". A ideia é que passe apenas a haver duas espécies: os humanos e os hamazianos.
Sim... acham que Israel quer acabar com o Hamas? Que os Estados Unidos da América querem acabar com o Hamas? Podem querer desmembrá-lo e acabar com a sua autonomia. Mas o que realmente estes 2 países querem, e o que o chamado mundo ocidental pretende, não é acabar com o Hamas, mas sim controlá-lo. Sei disto porque grupos terroristas não são findáveis pela nossa vontade de querer acabar com eles. Quanto muito terminam porque a nossa realidade é melhor do que a deles. Mas isso dá trabalho. Tentar exterminar ratos e pulgas é sempre mais aliciante do que colocar aqueles aparelhinhos de ligar à corrente, ou acender uma daquelas velas de desinfestação que não os mata: afasta. Grupos terroristas quanto muito são dominados e controlados. Por isso é que rebeldes sírios hoje são senhores do bem, apesar de continuarem a fazer o que faziam antes.
qual a solução?
A solução devia ter começado a ser aplicada há vários anos. Talvez há uns 20 anos. A redução progressiva da venda de tecnologia de ponta por parte dos EUA a Israel, sobretudo na área da informática. Hão-de reparar que israelitas são líderes em vários assuntos relacionados com deteção de malware e afins, mas não geram ataques de negação de serviço, nem espalham vírus, ou ao menos nenhuma procedência lhes é reconhecida.
Em segundo, ir também reduzindo a venda de armas e outro material bélico. Outro tipo de tecnologia de ponta. Israel é o representante legal dos Estados Unidos da América no médio oriente. Sem a força militar de Israel, esta sobranceria de atacar todos à sua volta já haveria de ter resultado na sua dissolução. Nãoa conteceu porque qualquer país que ataque Israel sabe que está a atacar uma aurícula ou um ventríluco dos Estados Unidos da América, que Irão reagir de forma enérgica e precisa.
Sem essa tecnologia de ponta nas mãos, como se de um grande rio se tratasse, ou seja, uma fonte inesgotável, Israel teria de forçar acordos diplomáticos para se manter como país. Mas isso implicaria que não tivesse capacidade militar para se envolver em 4 ou 5 frentes de guerra em simultâneo: Síria, Gaza, Líbano, Irão e Yemen.
Carlos, isto é imaginação tua
Talvez sim. Talvez não. Mas factos são factos. Quem reconheceu Jerusalém como a capital de Israel a 6 de Dezembro de 2017 não fui eu, foram os Estados Unidos da América. E foram os primeiros a fazê-lo. De resto, os únicos entre América do Norte e na Europpa só o Kosovo lhes segue o exemplo.
o desfecho
Israel irá atacar a Cisjordânia como planeado. E muito provavelmente esse poderá ser o ponto de viragem. O ponto em que a União Europeia não só critica verbalmente, mas também sansiona, contrariando a posição dos Estados Unidos. Em 2028 o presidente dos EUA será outro, e o constante estado de guerrilha em que o país se encontra, tanto por fatores internos, como por fatores externos, poderá fazer imperar uma decisão pacificadora. Israel não vai atacar para já a Cisjordânia. Vai para já deixar que o acordo em Gaza prossiga, o que lhe permitirá recuperar um pouco a sua imagem a nível internacional, e simultaneamente participar na Eurovisão e renovar os seus stocks militares, sem implicar ainda mais a sua economia.
Se tal acontecer, deverá acontecer para meados de 2026 ou princípios de 2027, o que ainda apanhará Donald Trump na presidência, mesmo que já em fase de campanha. Será para mim uma surpresa se Israel estiver disposto à paz. Se tal acontecer, será a 1ª vez desde a sua fundação, que tal se sucede. E isso poderá até acontecer, se o atual presidente do país, já não o for. E se para o seu lugar vier outro que não utilize um genocídio como justificativa para outro genocídio.
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