O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quinta-feira que retirará o apoio norte-americano a Israel caso o governo israelita avance com a anexação da Cisjordânia ocupada, uma decisão que classificou como “inaceitável”.
Em entrevista à revista Time, o chefe da Casa Branca disse ter advertido pessoalmente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, garantindo que “isso não vai acontecer”.
“Israel perderia todo o apoio dos Estados Unidos se isso acontecesse. Dei a minha palavra aos países árabes durante as negociações de cessar-fogo em Gaza”, afirmou Trump, acrescentando que “isso não pode ser feito agora”.
A entrevista, realizada a 15 de outubro e publicada esta quinta-feira, surge após a aprovação no Knesset (parlamento israelita) de duas propostas de lei que visam anexar a Cisjordânia, território ocupado desde 1967.
Polémica e reação internacional
As propostas, aprovadas por margens reduzidas — 25 votos a favor e 24 contra —, provocaram alarme em Washington e fortes condenações no mundo árabe e muçulmano.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Palestina, sediado em Ramallah, rejeitou “firmemente” a tentativa de anexação.
Em comunicado conjunto, 15 países árabes e muçulmanos, incluindo Arábia Saudita, Egito, Turquia, Indonésia e Qatar, denunciaram as votações como uma “flagrante violação do direito internacional”.
Netanyahu tenta conter danos
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, demarcou-se dos projetos, alegando que foram “uma provocação da oposição”.
“A votação do Knesset foi uma provocação política deliberada da oposição para semear a discórdia durante a visita dos responsáveis norte-americanos”, declarou o gabinete do primeiro-ministro.
Netanyahu garantiu ainda que, sem o apoio do Likud, os projetos dificilmente avançarão nas próximas etapas legislativas.
Pressão direta de Trump sobre Israel
Segundo a revista Time, Trump telefonou a Netanyahu após o episódio, deixando claro que o apoio dos EUA dependerá da manutenção do cessar-fogo com o Hamas.
“Bibi, não podes lutar contra o mundo. Podes travar batalhas individuais, mas o mundo está contra ti”, disse Trump, segundo o seu enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff, que confirmou a conversa.
Trump também criticou o ataque israelita a posições do Hamas no Qatar, classificando-o de “erro tático” e exigindo que Netanyahu pedisse desculpas ao emir de Doha — algo que, segundo a Time, aconteceu horas antes do anúncio do plano de cessar-fogo para Gaza.
Aposta nos Acordos de Abraão
O Presidente norte-americano disse ainda estar confiante de que até ao final do ano poderá expandir os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrain durante o seu primeiro mandato.
A Arábia Saudita, cujo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman visitará a Casa Branca em novembro, é vista como peça-chave para consolidar a integração de Israel na região.
“A minha visão é de uma nova economia no Médio Oriente — com comércio livre, energia partilhada e ligações ferroviárias entre o Mediterrâneo e o Golfo Pérsico”, afirmou Trump, acrescentando que poderá visitar Israel “em breve”.
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