A União Europeia aprovou esta quinta-feira o 19.º pacote de sanções contra a Rússia, depois de ultrapassado o veto da Eslováquia. O anúncio foi feito pela alta representante para a Política Externa e de Segurança, Kaja Kallas, que destacou o alargamento das medidas punitivas a bancos, bolsas de criptomoedas e entidades na China e na Índia.
“Acabámos de adotar o nosso 19.º pacote de sanções, que atinge bancos russos, bolsas de criptomoedas, entidades na Índia e na China, entre outros.
A UE está a restringir os movimentos dos diplomatas russos para combater as tentativas de desestabilização”, escreveu Kallas na rede social X, acrescentando que o bloco avança também para a proibição do gás natural liquefeito (GNL) russo.
A aprovação das medidas só foi possível depois de a Eslováquia levantar o veto que mantinha sobre as importações energéticas.
Gás russo sob mira e bancos na lista negra
O novo pacote prevê o bloqueio total das importações de GNL russo a partir de 1 de janeiro de 2027, o reforço das restrições financeiras que impedem transações com bancos russos e instituições em países terceiros, e novas limitações aos sistemas de pagamento russos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a decisão dos 27:
“Pela primeira vez, estamos a atingir o setor do gás da Rússia, o coração da sua economia de guerra. Não cederemos até que o povo da Ucrânia tenha uma paz justa e duradoura.”
Já a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que este é um “passo crucial” para reforçar a pressão sobre Moscovo e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis russos.
Sanções ampliadas e tecnologia sob vigilância
As medidas incluem ainda restrições à chamada “frota fantasma” russa, composta por mais de 118 navios sancionados, e limites à exportação de tecnologias sensíveis, como inteligência artificial, dados geoespaciais e metais críticos.
Empresas da China, Índia e de outros países que fornecem apoio à indústria militar russa também foram incluídas na lista negra.
Estados Unidos endurecem pressão
Horas antes do anúncio europeu, os Estados Unidos sancionaram dois gigantes petrolíferos russos — Rosneft e Lukoil —, assim como dezenas de subsidiárias, numa decisão que o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreveu como “necessária para travar uma guerra insensata”.
O presidente Donald Trump, contudo, manifestou a esperança de que as sanções “não durem demasiado tempo”, afirmando desejar “um fim próximo para a guerra” após um encontro com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
Reações de Kiev e Moscovo
Em Bruxelas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou o novo pacote de sanções como “uma mensagem forte e necessária”, agradecendo aos EUA e à UE pelo “apoio contínuo à causa da Ucrânia”.
“Estávamos à espera disto. É muito importante. Esperemos que funcione”, disse o líder ucraniano à chegada a uma cimeira europeia.
Já o Kremlin considerou as medidas “extremamente contraproducentes”, argumentando que as sanções “afetarão mais os países europeus do que a Rússia” e reiterando que “os objetivos russos na Ucrânia permanecem inalterados”.
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