O advogado da empresa Main, responsável pela manutenção do Elevador da Glória, afirmou esta quinta-feira que a empresa “cumpriu integralmente o contrato” e não tem qualquer responsabilidade na escolha dos materiais utilizados no equipamento, incluindo o cabo não certificado apontado como uma das causas do acidente que matou 16 pessoas e feriu outras 20.
À saída do Departamento de Investigação e Ação Penal Regional (DIAP), em Lisboa, o advogado Ricardo Serrano Vieira, representante legal de Gustavo Pita Soares, dirigente máximo da Main, explicou que a empresa não intervém na seleção de componentes, limitando-se a executar as manutenções previstas.
“A Main não tem qualquer intervenção na seleção dos materiais. As operações de manutenção exigem formações altamente especializadas, e há pouca gente no país com competências para monitorizar sistemas desta complexidade”, afirmou o advogado.
Falhas graves e demissões na Carris
O relatório preliminar do GPIAAF, divulgado na segunda-feira, identificou falhas e omissões na manutenção, bem como falta de formação e supervisão dos trabalhadores da empresa contratada.
A tragédia, ocorrida há quase dois meses, já provocou uma crise institucional na Carris: o diretor de manutenção foi afastado, seguido pela demissão do presidente da empresa, Pedro Bogas, e pela queda do Conselho de Administração.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, recusou, porém, responsabilizar o executivo camarário, acusando a oposição de “falta de respeito” e defendendo que as causas técnicas do acidente estão bem apuradas.
Contexto
O Elevador da Glória, um dos mais emblemáticos de Lisboa, ligava a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto. O acidente, considerado o mais grave da história recente dos transportes públicos da capital, continua a ser investigado pelo Ministério Público e pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).
Para estar sempre a par do que acontece sobre os temas que mais o cativam ou preocupam, subscreva os nossos alertas